A zona sul de Londrina abriga diferentes realidades. Nela convivem bairros simples, de gente que se une para superar dificuldades, e territórios marcados por ideias arrojadas, que se concretizam em modernos empreendimentos. Nesta região nasceram, por exemplo, duas iniciativas que estão transformando a vida de famílias do Jardim União da Vitória: o Grupo Primavera, que beneficia cerca de 30 mulheres promovendo a inclusão social e geração de renda por meio do artesanato, e o projeto Construindo Caminhos, que atende 150 crianças e adolescentes de 7 a 17 anos no contraturno escolar com a oferta de oficinas esportivas, recreativas e de capacitação.
  As atividades são uma iniciativa do Instituto Eurobase, organização sem fins lucrativos que acolheu a região há 12 anos. De lá para cá muita coisa mudou na região e na vida das pessoas atendidas nos projetos. Odete Aparecida Vernes dos Santos, uma das artesãs, é prova disso. Ela e o marido foram viver ali quando o bairro estava nascendo, há 25 anos. ‘‘Chorei de tristeza quando cheguei. Não tinha água encanada, nem luz, nem asfalto, não passava ônibus. Hoje o bairro, perto do que já foi, está muito tranquilo.’’
  Odete também não esconde que neste um quarto de século, graças aos amigos que fez e ao trabalho que aprendeu no Grupo Primavera, venceu o fantasma do alcoolismo. Muito da vitória da artesã deve-se aos conselhos que ouviu da amiga Maria Aparecida Pereira Martins, a Cida, que coordena as atividades das integrantes do projeto. Cida é outra moradora antiga do União da Vitória, mulher de garra que não troca o lugar onde mora por nenhum outro da cidade e que se move por uma certeza: ‘‘Vale a pena investir nas pessoas.’’

Sofisticação
  E foi o esforço de milhares delas que transformaram, um pouco a cada dia, a zona sul de Londrina. Impossível falar desta região sem citar sua gleba mais famosa, que virou sinônimo de sofisticação e imprimiu ares de modernidade à cidade, pertinentes com seus 70 e poucos anos. Foi ali, na Palhano, que a população viu o fenômeno da verticalização, mais uma vez, mudar a cara de Londrina. É ali que nos deparamos, quase que diariamente, com novidades que antes só víamos em metrópoles antenadas a tendências mundiais.
  O primeiro grande shopping, o primeiro ecomercado, os primeiros edifícios com técnicas sustentáveis de construção. Tudo o que nasce de ideias inovadoras encontra terreno fértil na Gleba Palhano ou nas suas imediações. ‘‘Quando resolvemos montar nossa escola, sabíamos que tinha que ser na zona sul, porque esta é uma região que atrai negócios diferenciados’’, admite a diretora pedagógica da Escola Every, Verlaine Ferraresi.
  Há um ano e três meses, a instituição que se propõe a ser pequena e oferecer atenção individualizada aos alunos – modelo cada vez mais procurado nos grandes centros – ocupa um imóvel no Jardim Bela Suíça. ‘‘Com esta localização, atingimos o público que busca serviços diferenciados – como o ensino da língua inglesa desde muito cedo, sem ser uma escola bilíngue – e sabe valorizá-los’’, argumenta a educadora.

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