Estacionar na rua no Centro de Curitiba é difícil. Dependendo do dia e do horário, a tarefa de encontrar uma vaga é tão torturante quanto o trânsito da capital paranaense no horário do rush. Muitos motoristas desistem de tentar e preferem deixar o carro em um estacionamento.
  O representante comercial Carlos Diniz, 45 anos, morador de São José dos Pinhais, conta que certa vez rodou pelo Centro de Curitiba durante 15 minutos para encontrar uma vaga no Estar, o serviço de estacionamento pago nas ruas mantido pela Urbanização de Curitiba (Urbs).
  ‘‘É difícil achar vagas de Estar no Centro porque há muito prédio comercial, muitos hotéis, e os veículos desses estabelecimentos acabam pegando uns 50% das vagas. O que sobra é disputado. Ainda assim, eu prefiro o Estar. É mais barato. É R$ 1 contra R$ 6 em um estacionamento. Mas o pior no trânsito de Curitiba não é tanto a falta de vagas para estacionar, mas sim o roubo de carros e a falta de educação dos motoristas’’, afirma Diniz.
  Aparecido Roberto Ramos, 44, que auxilia o pai em um escritório de advocacia, também prefere utilizar o Estar quando vem ao Centro. ‘‘É difícil achar vaga no Centro inteiro. É mais complicado ainda perto da Praça Tiradentes. Teve uma vez em que rodei pelo Centro uns 10 minutos até achar vaga. Mas eu prefiro o Estar porque é mais barato. Além disso, o carro tem seguro’’, explica.
  Jorge Calixto, 48, trabalha como guardador de carros no Centro há décadas. Ele explica que, nos horários do Estar, revende as folhas do serviço a R$ 1,50 (o preço normal é R$ 0,75). Fora desses horários, pede o mesmo valor aos motoristas. ‘‘Mas se não quiserem pagar esse valor não tem problema. Nos dias do Estar, eu consigo uns R$ 25 por dia. Aos domingos, faço bem mais, uns R$ 70’’.
  Calixto sabe que os guardadores de carro não são bem vistos por muita gente, mas alega que precisa do serviço para se sustentar e para ajudar a mãe. ‘‘Os motoristas cobram que a gente seja honesto, reclamam do preço, mas, se eles têm a oportunidade de ‘dar o cano’, eles dão. Tem gente que diz que paga na volta e quando você vê o sujeito já foi embora’’, critica.
  A assistente social Deise de Sousa, 40, prefere deixar seu veículo em estacionamento. ‘‘Mas não costumo usar muito o carro para vir ao Centro. É muito difícil achar vaga na rua. Quando eu venho ao Centro, deixo no estacionamento por segurança, porque já roubaram um carro meu na rua’’, diz a assistente social.
  No dia em que foi entrevistada pela Folha, Deise deixou seu carro em um estacionamento que cobrava
R$ 3,00 a primeira hora. ‘‘Dependendo da região, é até mais caro, uns R$ 5,00 a hora. Quando você vem para ficar muito tempo no Centro, não compensa deixar em estacionamento. Fica muito caro’’, argumenta.
  Em um levantamento feito pela Folha junto a sete estacionamentos no Centro de Curitiba, o preço da primeira hora variou entre R$ 3,00 e R$ 5,80. Os maiores valores foram verificados na região da Praça Zacarias, onde a dificuldade para encontrar vagas de Estar é ainda maior. A maioria dos estabelecimentos consultados adota a prática do fracionamento de valor a cada 15 minutos quando a permanência do veículo excede uma hora.
  Sebastião Azevedo, 57, gerente de um estacionamento que cobra R$ 4 pela primeira hora, explica que faz tomadas de preços para definir os valores cobrados no estabelecimento.
  ‘‘Procuramos adotar um preço que não esteja muito abaixo nem muito acima dos outros. Cobramos um valor que seja adequado à nossa preocupação com a qualidade. Nosso funcionário mais novo tem 10 anos de serviço e nós pagamos o melhor salário da categoria. Nossa maior preocupação é a segurança. Queremos que o cliente saiba que se ele deixar dinheiro dentro do carro, ele vai encontrar aquele dinheiro quando voltar’’, afirma Azevedo.

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