A difícil hora de escolher o nome
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terça-feira, 02 de dezembro de 2008
André Amorim<br>Equipe da Folha 
De tempos em tempos é possível identificar algumas ''modas'' que vêm como ondas e parecem influenciar a escolha dos nomes dos bebês que nascem em determinado período. Esse tipo de inspiração vem de personagens da política, do futebol e, principalmente, da televisão. É provável que muitos dos Rodrigos que hoje estão na casa dos 30 anos devam a escolha do nome à influência do personagem de Tarcísio Meira, que interpretava o valente Capitão Rodrigo, na minissérie ''O Tempo e o Vento''.
Nos Estados Unidos, recentemente registrou-se uma grande quantidade de crianças batizadas como Barak ou Obama, em homenagem ao presidente eleito daquele país. Até o momento, nenhum Barak Obama foi registrado nos cartórios de registro civil de Curitiba, tampouco Lula. Por aqui imperam os personagens de novela e os jogadores de futebol.
Há 16 anos trabalhando em um cartório da capital paranaense, Sidinéia Cordeiro pôde acompanhar as diversas ''febres'' de nomes de inspiração televisiva. ''Na época da (novela) Terra Nostra tinha muito Mateo'', conta ela referindo-se ao personagem de Thiago Lacerda que fez muito sucesso na época. ''O povo vai muito pelo nome da novela'', avalia. Segundo ela, atualmente tem aparecido muitos registros com ''Lara'' e ''Catarina'', ambos nomes de personagens da atual novela das oito da Globo. ''Clara'' e ''Donatela'', outras personagens do mesmo folhetim eletrônico, também têm surgido com frequência nas certidões de nascimento.
Quando o bebê é do sexo masculino, além da televisão é comum a inspiração no futebol. O atacante Keirrisson, do Coritiba, já emprestou seu nome a pelo menos seis bebês em apenas um dos cartórios de registro civil de Curitiba. Outra tendência observada por Sidinéia é a volta aos nomes mais ''simples'' e brasileiros, como João, José, Pedro e outros de inspiração bíblica.
Algumas opções mais mórbidas também aparecem na lista de registros. ''Eloá tem saído bastante'', observa a funcionária do cartório referindo-se ao nome da menina de 15 anos que foi assassinada pelo ex-namorado em São Paulo após um longo e tumultuado sequestro amplamente televisionado. ''Não sei se é homenagem, acho que com esse episódio as pessoas lembraram que o nome existia'', considera.
Tentativas de registro de nomes incomuns também fazem parte da rotina do cartório. Sidinéia conta que recentemente houve um pedido para registrar um menino com o nome de Krshna. Depois de muita conversa com o pai da criança ele aceitou colocar um ''y'', ficando então Kryshna. Em casos como esse, o cartorário tem poder de decidir se o nome será aceito ou não. No caso do impasse não se resolver, é feito então um requerimento a um juiz que decide a questão. Esse tipo de cuidado visa impedir que sejam batizadas crianças com nomes como ''Xerox Fotocópia Autenticada'' ou ''1 2 3 de Oliveira 4'' e outros que entraram para o hall das bizarrices.


