Estelio Feldman
Nos anos 30 explodiu a nova civilização do Norte do Paraná, que ocorreu coincidentemente com a época da ditadura, embora não tenha decorrido dela. Trata-se de obra realizada por gente que veio de todo o Brasil e de muitos países que também construíram a história do Paraná.
Na verdade, o Norte do Paraná começa a surgir, pelo menos nos planos, ainda durante a Velha República. Foi em 1924 que Lord Lovat visitou o Estado e obteve a concessão para abrir a colonização na região, entre os rios Paranapanema, Tibagi e Ivaí. O contrato não foi desfeito pela Revolução de 1930 que, vale observar, não encontrou nele os vícios percebidos em outros.
É inegável que o que de melhor aconteceu no Paraná, ao longo do tempo da ditadura, foi precisamente a colonização do Estado. O governo Manoel Ribas lutou muito, buscou regularizar situações e seguiu, em algumas regiões, o exemplo que era dado pela Companhia de Terras do Norte do Paraná. O café, que se deu muito bem nas terras roxas – das mais férteis do mundo –, abriu caminho para uma nova civilização. Paulistas, mineiros, nordestinos, brasileiros de toda parte, afluíram para a região. Enquanto isso, do sul vinham os gaúchos e catarinenses, povoando o Sudoeste do Estado, principalmente, e também o Oeste. O Paraná, que durante mais de 400 anos (desde a descoberta) era uma imensidão pouco ocupada, passou a se tornar o sonho de muitos. Vinham também os estrangeiros: japoneses, alemães, poloneses. Formavam colônias, criavam cidades, abriam caminho. A população do Paraná, que cresceu pouco ao longo dos 400 anos, explodiu no século 20. Na época da emancipação política, contavam-se 62 mil habitantes. Quando da proclamação da República, o total atingia 120 mil.

J. Juliani/Arquivo FolhaFRUTO DA TERRAMovimentação no posto de compra de algodão da empresa Anderson & Clayton, Londrina, em 1936: terras das mais férteis do mundo


Em 1900, o Paraná contava com 327.136 habitantes. Vinte anos depois, o total duplicou, chegando a 685.711. E voltou a duplicar nos 20 anos subsequentes, atingindo em 1940 um total de 1.236.547 habitantes. Dez anos depois, em 1950, o número quase voltou a duplicar, chegando a 2.115.547. Em 1960, outra vez dobrava: 4.277.763 habitantes. Importa observar que este crescimento não foi apenas vegetativo. Houve de fato uma explosão que pode ser atestada na comparação percentual: em 1900, a população do Paraná correspondia a 1,9% da população brasileira; em 1920, representava 2,2%; em 1940 o índice subiu para 3%, elevando-se a 4,1% em 1950 e para 6% em 1960.

mockup