São Paulo - O brasileiro está viajando mais. A entrada da classe média emergente no mercado de turismo foi um dos sustentáculos do setor em 2009 e dará fôlego ao crescimento dessa indústria em 2010. Os novos turistas da classe C conseguem encaixar as viagens em seu orçamento graças à recuperação econômica e ao aumento da confiança do consumidor, ao dólar baixo, que barateia os pacotes turísticos, e sobretudo às facilidades de financiamento. Hoje já é possível comprar uma passagem aérea em até 48 prestações.
‘‘Nos próximos dez anos, 50 milhões de brasileiros que nunca viajaram serão incorporados ao mercado de turismo. É um quarto da população brasileira’’, afirma Guilherme Paulus, presidente do Conselho de Administração da CVC. Fundada por ele há 37 anos, a CVC é hoje o maior grupo empresarial de turismo da América Latina.
Na mais recente pesquisa realizada pelo Ministério do Turismo, divulgada em novembro, com 2.514 pessoas, o número de turistas que fizeram pelo menos uma viagem nos últimos dois anos aumentou 83% em comparação com 2007. Entre 2007 e 2009, 58,8% dos brasileiros viajaram ao menos uma vez. Na pesquisa anterior, eram 32%.
Os números se mostram ainda mais expressivos quando se observa a estratificação por faixa de renda. Hoje, 38,9% dos viajantes têm renda superior a 10 salários mínimos, mas cresce a participação das faixas de rendimentos mais baixos. Segundo o estudo, 15,8% das pessoas que ganham entre um e três salários mínimos fizeram uma viagem nos últimos dois anos. Entre os que recebem entre três e cinco salários, o porcentual sobe para 19,7%. E há crescimento à vista: segundo o estudo do Ministério do Turismo, 34,8% das pessoas com interesse em viajar até 2011 ganham entre 1 e 3 salários mínimos.
‘‘Houve um alargamento do mercado de consumo do País com a entrada de mais de 20 milhões de brasileiros na classe média e isso refletiu no aumento do número de viagens nos últimos dois anos’’, diz o ministro do Turismo, Luiz Barreto. Segundo ele, antes as viagens se concentravam apenas nas classes A e B. ‘‘A classe C tem entrado nesse mercado e contribuído para o aumento’’.
O ano passado começou mal para o turismo, com os efeitos da crise econômica internacional. Depois, no meio do ano, os surtos da gripe H1N1 em países da América Latina. A recuperação começou só no segundo semestre e, ao que parece, veio para ficar.
‘‘O turismo ficou mais acessível. O dólar a R$ 1,70 e a competição entre as companhias aéreas estimulam’’, diz Alex Todres, da ViajaNet, que opera desde novembro com a venda de pacotes e passagens pela Internet.
No balanço do mar
Nada sintetiza melhor a democratização no turismo no Brasil do que a atual febre dos cruzeiros marítimos. Nos últimos dez anos, cresceu exponencialmente a oferta de passeios em navios que chegam à costa brasileira. Na temporada de verão 2009/2010, 18 embarcações aportam no litoral, oferecendo cerca de 600 mil lugares.
‘‘Cruzeiro é a bola da vez’’, resume Guilherme Paulus, presidente do Conselho de Administração da CVC, que nesta estação disponibilizou 120 mil vagas em quatro transatlânticos de grande porte. ‘‘A temporada brasileira coincide com o inverno no Hemisfério Norte, quando os navios ficam ociosos e as companhias marítimas os deslocam para a América do Sul, um forte mercado emergente’’.
Ele explica que o câmbio favorável e o sistema ‘‘all inclusive’’, onde o consumo de alimentos e bebidas é incluído no preço dos pacotes, tornou essas viagens mais acessíveis.
Muitos dos que aproveitam os pacotes viajam pela primeira vez. Alguns atravessam o País para a inédita viagem em um navio. Boa parte faz grande esforço para embarcar a família inteira e vai passar o ano pagando as prestações. ‘‘Noventa por cento dos passageiros que embarcam em um cruzeiro são marinheiros de primeira viagem’’, confirma Paulus. A.V./AE.

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