A classe C vai ao paraíso
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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Andrea Vialli<br>Agência Estado 
São Paulo - O brasileiro está viajando mais. A entrada da classe média emergente no mercado de turismo foi um dos sustentáculos do setor em 2009 e dará fôlego ao crescimento dessa indústria em 2010. Os novos turistas da classe C conseguem encaixar as viagens em seu orçamento graças à recuperação econômica e ao aumento da confiança do consumidor, ao dólar baixo, que barateia os pacotes turísticos, e sobretudo às facilidades de financiamento. Hoje já é possível comprar uma passagem aérea em até 48 prestações.
Nos próximos dez anos, 50 milhões de brasileiros que nunca viajaram serão incorporados ao mercado de turismo. É um quarto da população brasileira, afirma Guilherme Paulus, presidente do Conselho de Administração da CVC. Fundada por ele há 37 anos, a CVC é hoje o maior grupo empresarial de turismo da América Latina.
Na mais recente pesquisa realizada pelo Ministério do Turismo, divulgada em novembro, com 2.514 pessoas, o número de turistas que fizeram pelo menos uma viagem nos últimos dois anos aumentou 83% em comparação com 2007. Entre 2007 e 2009, 58,8% dos brasileiros viajaram ao menos uma vez. Na pesquisa anterior, eram 32%.
Os números se mostram ainda mais expressivos quando se observa a estratificação por faixa de renda. Hoje, 38,9% dos viajantes têm renda superior a 10 salários mínimos, mas cresce a participação das faixas de rendimentos mais baixos. Segundo o estudo, 15,8% das pessoas que ganham entre um e três salários mínimos fizeram uma viagem nos últimos dois anos. Entre os que recebem entre três e cinco salários, o porcentual sobe para 19,7%. E há crescimento à vista: segundo o estudo do Ministério do Turismo, 34,8% das pessoas com interesse em viajar até 2011 ganham entre 1 e 3 salários mínimos.
Houve um alargamento do mercado de consumo do País com a entrada de mais de 20 milhões de brasileiros na classe média e isso refletiu no aumento do número de viagens nos últimos dois anos, diz o ministro do Turismo, Luiz Barreto. Segundo ele, antes as viagens se concentravam apenas nas classes A e B. A classe C tem entrado nesse mercado e contribuído para o aumento.
O ano passado começou mal para o turismo, com os efeitos da crise econômica internacional. Depois, no meio do ano, os surtos da gripe H1N1 em países da América Latina. A recuperação começou só no segundo semestre e, ao que parece, veio para ficar.
O turismo ficou mais acessível. O dólar a R$ 1,70 e a competição entre as companhias aéreas estimulam, diz Alex Todres, da ViajaNet, que opera desde novembro com a venda de pacotes e passagens pela Internet.
No balanço do mar
Nada sintetiza melhor a democratização no turismo no Brasil do que a atual febre dos cruzeiros marítimos. Nos últimos dez anos, cresceu exponencialmente a oferta de passeios em navios que chegam à costa brasileira. Na temporada de verão 2009/2010, 18 embarcações aportam no litoral, oferecendo cerca de 600 mil lugares.
Cruzeiro é a bola da vez, resume Guilherme Paulus, presidente do Conselho de Administração da CVC, que nesta estação disponibilizou 120 mil vagas em quatro transatlânticos de grande porte. A temporada brasileira coincide com o inverno no Hemisfério Norte, quando os navios ficam ociosos e as companhias marítimas os deslocam para a América do Sul, um forte mercado emergente.
Ele explica que o câmbio favorável e o sistema all inclusive, onde o consumo de alimentos e bebidas é incluído no preço dos pacotes, tornou essas viagens mais acessíveis.
Muitos dos que aproveitam os pacotes viajam pela primeira vez. Alguns atravessam o País para a inédita viagem em um navio. Boa parte faz grande esforço para embarcar a família inteira e vai passar o ano pagando as prestações. Noventa por cento dos passageiros que embarcam em um cruzeiro são marinheiros de primeira viagem, confirma Paulus. A.V./AE.


