Fotos de Marcelo AlmeidaOs bares Ciccarino e Hermes são os preferidos pelo engenheiro civil Marlos Coelho, que encontra com mais frequência os seus amigos durante as férias de verãoCasas sem crianças, sem mulher, sem empregada doméstica, sem animais de estimação e, geralmente, sem nada na geladeira. Nesta época do ano, quando grande parte das famílias transfere seus endereços para o litoral, normalmente o ‘‘pai’’ permanece em Curitiba. É quando a cidade perde mulheres, crianças e adolescentes e ganha uma legião de ‘‘pseudo-solteiros’’, de segunda à sexta.
‘‘Há 16 anos que isto acontece com a minha família’’, explica o corretor de imóveis Wilson Isfer. Ele é casado há 23 anos e tem três filhos, com idades de 22, 20 e 14 anos.
‘‘Meu emocional passa por várias fases durante esta época e a primeira delas é de solidão total’’, conta ele. Este é o período que compreende a primeira semana de férias, normalmente coinscidindo com a primeira do ano. ‘‘Depois começo a me acostumar e passo para a fase da irritação’’, conta.
Aí entra a participação dos dois filhos mais velhos, que há um ano estão trabalhando em Curitiba e ficam na cidade com o pai. ‘‘Eles ouvem o som mais alto do que quando a mãe está em casa, deixam roupas jogadas pelo corredor e a louça muitas vezes se acumula na pia’’.
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Sem empregada, nesta época eles organizam a rotina apenas como auxílio de uma diarista, que trabalha duas vezes por semana. ‘‘As vezes almoçamos juntos, quando ela cozinha’’.
Após superada a segunda fase, que leva em torno de duas semanas, tem início o período chamado por ele de ‘‘vida de solteiro’’. É quando ele começa a se acostumar a estar sozinho e a programar sua vida com independência. ‘‘Aí eu não arrumo mais a cama, tomo banho de manhã e não à noite e assisto mais televisão’’, conta.
Outro hábito que sofre alteração na rotina do corretor de imóveis é a maior dedicação ao trabalho. ‘‘Fico até mais tarde no escritório, às vezes até as 21h’’, afirma. ‘‘Alguns dias trabalho na hora do almoço ou levo tarefas para casa’’.
Como ninguém é de ferro, ele também garante que é nesta época que sobra mais tempo para os amigos. ‘‘Saímos mais do que em outros meses, para almoçar, fazer happy hour, beber cerveja e bater papo’’, conta. Entre os pontos de encontro preferidos por ele está o restaurante Baviera.
‘‘Procuramos lugares tranquilos, com som baixo, para que possamos conversar’’, conta. Ele explicou que tem alguns amigos que também ficam separados das famílias durante os dias de semana do verão. ‘‘Esta época do ano também tem a sua importância’’, acredita.

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