A diversidade de origens dos estudantes impacta também em diferentes impressões sobre a cidade. Entre os elogios mais comuns estão a beleza e o verde da cidade, o baixo custo (comparado a outras cidades universitárias), a praticidade de ter tudo próximo e os fortes laços de amizade que se formam, facilitado pelo tamanho da cidade. Entre as críticas, uma unanimidade: faltam opões de lazer.
"Sou de Ribeirão Preto (SP) e demorei para me adaptar ao ritmo de Cornélio. Tudo fecha na segunda-feira à noite, não tem nenhuma franquia de fast-food e fazer festas não é uma missão fácil, pois os vizinhos se incomodam e chamam a polícia", conta a aluna de Engenharia Elétrica da UTFPR, Jacqueline Guedes.
Há, no entanto, quem aprecie a tranquilidade, como o baiano de Caetité, Gibson Cardoso. "A cidade é bem calma e não há tantas distrações, o que a torna propícia para os estudos. Para mim a maior diferença está nas pessoas. Na Bahia somos mais extrovertidos, no Paraná são mais reservados".
Mas, dentre os diferentes pontos de vista, um é inquestionável: os bons momentos vividos em Cornélio Procópio. "Por ser uma cidade pequena, nos aproximamos mais das pessoas, criando amizades mais fortes. Hoje tenho uma ‘família’ muito bacana aqui, e momentos que com certeza levarei pra sempre comigo", ressalta Jacqueline.

NA ESTRADA


A cidade conta ainda com mais de 1.500 estudantes que vêm diariamente a Cornélio para frequentar a universidade. A Uenp é a instituição que mais atrai esse público. Cleverson Tiago Rosa Ramos é um dos alunos que faz o chamado "bate-volta". Ele mora na zona sul de Londrina, e segue de van a Cornélio, onde estuda Tecnologia e Desenvolvimento de Sistemas, na UTFPR. "É muito cansativo, mas acho que vale a pena. Pago R$ 300 por mês pelo transporte. É o único gasto que tenho para estudar em uma excelente universidade. Sou de família humilde e acho esta é umas das poucas oportunidades que tive na vida". (R.P.)


Imagem ilustrativa da imagem A cidade aos olhos dos 'migrantes'
| Foto: Marcos Zanutto
Cleverson Ramos faz o chamado "bate-volta" para estudar em Cornélio, mas não reclama e agradece a oportunidade
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