O Centro de Línguas e Interculturalidade (Celin) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) lembra a lendária Torre de Babel, mas com uma diferença fundamental. Se na parábola bíblica a torre – que pretendia chegar até o céu – deixou de ser construída devido à impossibilidade de comunicação entre diferentes idiomas. No Celin, a diversidade de idiomas é justamente o elemento que edifica o conhecimento de várias culturas.
  Criado em 1995 como Centro de Línguas, o Celin teve como primeiro objetivo institucionalizar as ações do Departamento de Letras da UFPR, levando à comunidade aulas de vários idiomas, com destaque para aqueles que representam as etnias presentes no Paraná, como polonês e o ucraniano. Depois de 10 anos, o Centro foi rebatizado e ganhou outra prerrogativa: a interculturalidade.
  ‘‘Não é possível falar de língua sem falar de cultura’’, diz o nigeriano Adebayo Abideme Majaro, professor do curso de língua yorubá e cultura africana. Ele conta que quando a oferta era apenas do idioma, a procura era escassa, mas após a introdução dos aspectos culturais, a demanda aumentou. Segundo Adebayo, com a recente mudança do currículo das escolas do ensino fundamental e médio, que passaram a incluir a história da África, muitos professores da rede pública têm procurado esse curso.
  A estudante Elaine Cristina Senko, de 24 anos, procurou o curso de árabe para ir direto às fontes históricas que necessita, sem recorrer a traduções. Aluna do curso de história da UFPR, ela acredita que o estudo da língua é um bom caminho para compreender o passado de um povo.
  Para Mariza Riva de Almeida, diretora do Celin, cultura e língua são conceitos indissociáveis. ‘‘E cultura pode ser muita coisa, até comida’’, acrescenta. Ela cita as aulas de guarani, onde recentemente foram apresentados aos alunos pratos típicos da culinária indígena. Essa concepção de ensino proporciona a criação de cursos que vão além do aprendizado de idiomas, como Redação, Poesia, Produção Literária e Interculturalidade.
  Outro curso que desperta grande interesse é o chinês (mandarim). Quando começou a ser oferecido, em 2003, havia apenas uma turma, hoje são 13. Segundo o professor Chang Yuan Chiang, o público é bastante variado. ‘‘São descendentes, funcionários de empresas que têm vínculo com a China, alunos de comércio exterior, acupunturistas, tem de tudo’’, explica.
  Mas nem todos os alunos do Celin têm interesses práticos nas línguas que estudam, alguns buscam apenas ampliar seus conhecimentos, como Larissa Martins, 22 anos, que estuda latim. ‘‘Tinha curiosidade sobre a origem da língua portuguesa’’, afirma. Apesar do interesse, sua área de atuação é bem distinta, aluna do curso de Zootecnia da UFPR, ela reconhece que o estudo de uma língua morta pouco ajudará em sua futura vida profissional.
  Uma das singularidades do Celin, é a oferta de cursos que dificilmente seriam encontrados em outras escolas, como sânscrito, esperanto, hebraico, russo, norueguês e outros. Atualmente são 22 idiomas distribuídos em 300 turmas que hoje abrigam cerca de 4 mil alunos, inclusive estrangeiros que pretendem aprender o português.
  Segundo Mariza Riva, o Celin é auto-sustentável, além das mensalidades, ele se mantém através de diversos projetos. Os cursos mais procurados, como inglês, francês, espanhol e alemão, financiam as turmas de línguas exóticas. Cerca de 15% dos alunos são bolsistas. Como o centro é um projeto de extensão do curso do departamento de Letras da UFPR, todos os coordenadores e diretores são professores da universidade.

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