A cadeia produtiva
As mãos ágeis de Aparecido Alves Fragoso espalham o molho e o queijo, distribuem o bacon e o tomate, completam o sabor e a decoração da pizza com pedacinhos de orégano. Põe no forno, tira e coloca as azeitonas. Em cerca de três minutos uma pizza está pronta. Pizzaiolo há 20 anos, ele nem precisa prestar atenção no serviço que consegue fazer rápido do mesmo jeito.
As responsabilidades de Fragoso na pizzaria começam às 16h30 quando prepara todas as massas para as pizzas. Em média, 200 pizzas por dia, elaboradas com o auxílio de outras quatro pessoas. Segundo ele, a noite de sábado é a mais movimentada da semana com o dobro de unidades.
Mesmo tendo que ficar praticamente todo o tempo em pé para preparar as pizzas, Fragoso garante que gosta do trabalho. No caso dele, quanto mais unidades forem vendidas mais a comissão por vendas que ele recebe engorda. Em média, o pizzaiolo recebe R$ 1.800 por mês. Fragoso assegura que gosta de trabalhar durante a noite o que possibilita a ele cuidar da própria firma de jardinagem durante o dia.(J.W.)
Há quatro anos, o taxista Marcelo Salvador Ferreiro só roda pela cidade durante a noite. A rotina do taxista começa por volta das 19 horas e se estende até às 7 horas da manhã, normalmente. As grandes vantagens de trabalhar como autônomo, justifica, são poder escolher o horário de trabalho, além de, não ter chefe e ganhar mais do que em um emprego em uma empresa. Ele calcula que consegue ganhar com o táxi uma média de R$ 800 por mês.
O final de semana vai chegando e o movimento no táxi cresce. À meia-noite, o rádio da Central pára e vamos (os taxistas) para os locais das festas, esclarece. Ferreiro explica que em épocas de eventos na cidade a maioria das corridas noturnas são dos hotéis até os locais de festas. Em uma noite de bom movimento o taxista faz 12 corridas.
Ferreiro conta que já aconteceu dele levar um cliente vindo de outra cidade até uma danceteria, largar o trabalho mais cedo e entrar junto com o cliente na festa. Levei ele até a festa, mas ele disse que não conhecia ninguém e perguntou se eu não queria entrar também. Desliguei o rádio e resolvi festar. Ele pagou tudo, lembra. (J.W.)
Trinta e três anos de idade, mais da metade da vida dedicada à noite. Ismael Maurício Mattos, mais conhecido com Preá, revela que com muito esforço conquistou a posição de sócio do bar onde trabalha desde 1991. A necessidade de ajudar a mãe fez com que o menino de 12 anos começasse lavando copos em um restaurante em São Paulo.
De volta a Londrina, na década de 90, começou a trabalhar no bar em que hoje é um dos sócios. Até tentei trabalhar como vendedor, mas nunca consegui deixar a noite, confessa. Entre os atrativos do bar, que recebe cerca de 600 pessoas em uma noite no fim de semana, cativar o cliente é a fórmula para nunca ficar vazio. Sem mencionar os rendimentos, ele acrescenta que nunca ganhou pouco e que o segredo para isso está na sua dedicação.
Quanto às contas do estabelecimento, elas vão muito bem, obrigada. Ou melhor, não existem contas. Organização, dedicação e gerência sempre presentes seriam alguns dos segredos do bar que nunca deu prejuízo, afirma. A margem de lucro ficaria, segundo ele, entre 13 e 20%. (J.W.)
Observar tudo com discrição. Manter a ordem e garantir a segurança de todos que estão no bar e na balada é a rotina do segurança Izaías da Silva. Ele diz que sempre quis se aventurar nesse ramo. Aos 21 anos teve o primeiro emprego e nunca mais deixou a profissão.
Segundo ele, é vantajoso trabalhar no período noturno porque o salário, em torno de R$ 800, é mais alto do que o de quem trabalha durante o dia. Durante toda a semana, Silva faz a segurança em estabelecimento em uma empresa. No fim de semana, ele também fica em uma danceteria onde, de terno e gravata, controla a entrada e saída de pessoas.
Silva tenta disfarçar o poder e a força dos seus dois metros de altura com boa educação. Você precisa tratar bem os clientes e preservar a imagem de confiança, argumenta.
Me divirto trabalhando à noite. O problema é que você precisa se organizar para poder aproveitar os dias também e não descuidar da família, destaca ao contar que é casado e tem dois filhos. Por causa das duas funções, ele declara que dorme somente de três a quatro horas pela manhã. (J.W.)
Paulista de nascimento, Lester Bariani é um músico que toca na noite de Londrina. Veio para cidade no rastro da Universidade Estadual de Londrina (UEL) como tantos outros jovens e acabou ficando. A música entrou na vida dele em 2000 quando alguns amigos reuniram-se para tocar em uma exposição agropecuária. Depois disso, não parou mais. Mesmo com o perseguido diploma de Engenharia Civil nas mãos, ele optou pela música.
Ainda quando estava na faculdade comecei, sem perceber, a me sustentar com o dinheiro que ganhava na noite, lembra Lester. Ele analisa que a vida de músico é instável. A justificativa para esse argumento está no número de shows que, segundo ele, varia muito. O músico afirma que a banda dele chegou a fazer oito apresentações em bares e casas de shows de Londrina e na região a cada semana. Hoje, chegam a menos da metade.
O músico confessa que, para aqueles que desejam se aventurar tocando pela noite, dedicação e muito estudo fazem parte da rotina, que não é só curtição.(J.W.)
Sem música não tem balada. No comando da animação é o disc jockey (DJ) que garante o sucesso da festa. DJ profissional há cinco anos, Walter Manabu conta que fica de seis a oito horas por noite mixando as músicas.
Formado em Contabilidade, durante o dia ele enfrenta a rotina do escritório. Questionado se tivesse que escolher entre o trabalho na balada e o emprego de contador, sem hesitação, ele garante que optaria pela festa. Estou na balada pelo prazer e pelo dinheiro, confessa. Sem revelar valores, Manabu diz que um DJ recebe, em média, R$ 100 por noite e que ele ganharia mais do que a média.
Experiente, ele avalia que o DJ precisa sentir a energia que vem da pista. O principal do DJ é o feeling. Você precisa saber como a pista está respondendo às músicas que você escolhe, relata. Manabu revela a fórmula que utiliza para selecionar as músicas: Se eu estivesse na pista que música eu gostaria de ouvir?
O DJ revela que não toma nenhum cuidado especial para conseguir levar o trabalho como contador e ainda ter ânimo para garantir o ritmo das baladas. Não fumo, não bebo, pratico esportes, tudo normal, afirma. Por sorte ele trabalha na empresa da mãe. Ela é mais tolerante e percebe quando o filho não está em condições de assumir o papel de contador. (J.W.)
Informações sobre festas, pode perguntar que é com ela. Daniela Fernanda de Souza Pinto trabalha há um ano divulgando festas. Mas durante a balada, ela encara a rotina como atendente em uma danceteria. Daniela ajuda as pessoas desinformadas a escolherem a festa certa. Ela informa, entre outras coisas, a banda que está tocando na casa, qual o DJ, se tem bebida liberada e assim por diante.
A promoter começa a trabalhar por volta das 15 horas. De segunda a quarta-feiras vai para casa cedo, por volta das 21 horas. A jornada torna-se mais pesada de quinta-feira a sábado quando começa a trabalhar em um dia e só pára no outro.
Quanto aos rendimentos da função, Daniela conta que consegue se sustentar sozinha com o dinheiro que ganha. Segundo ela, uma das vantagens do emprego é a flexibilidade. De acordo com a promoter, é muito diferente festar e estar trabalhando em festas. É realmente um trabalho como qualquer outro e com todos os seus problemas, destaca. (J.W.)





