Josiane Alves descobriu ser transexual em 1998, quanto tinha 17 anos. Com aparência feminina, ela não precisou fazer tantas alterações no corpo. Assim, tomou hormônios durante algum tempo e fez implante de silicone líquido nos seios. Pelos não nascem mais em seu rosto, mas a profissional do sexo garante que algumas travestis e transexuais passam até quatro horas se preparando para ficar com uma aparência mais próxima a de uma mulher. Tem até quem tira a barba com pinça. Josiane está em tratamento e observação para, no futuro, fazer a cirurgia de mudança de sexo. "Já fui desesperada para fazer a operação. Eu quero a cirurgia, mas não estou tão incomodada hoje".
Para ser realizada a cirurgia, a transexual passa por um análise de psicólogos e uma equipe multidisciplinar. Após dois anos de avaliação, pode receber o laudo para ser feito o procedimento. A partir daí é necessário ver se consegue fazer a mudança de sexo pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Apenas cinco hospitais do Brasil fazem a cirurgia. Em Curitiba não existe lugar que realize o processo pelo SUS. O Grupo Dignidade pretende fazer um pedido em massa para ver quantas pessoas querem mudar de nome e levar o caso adiante. No começo do ano, a transexual Marcela Prado foi a primeira no Paraná a conseguir esse direito.
Grande parte dos travestis tem maridos, mas Josiane é solteira. "Tem muito homem que é sustentado pela esposa", conta. Ela já teve vontade de ter filhos, mas pensa em como lidaria com isso. "A sociedade acha que a gente pode influenciar a orientação sexual da criança. Isso não acontece". A maior parte dos clientes de Josiane são casados. E muitos não querem usar preservativo. "Enquanto estou com eles tenho que usar toda uma psicologia para convencer a fazer o programa com camisinha".
Josiane estudou até a oitava série do ensino fundamental. Segundo a própria transexual, ela não foi forte o suficiente para enfrentar a sociedade e resolveu parar. Mas agora avalia a possibilidade em retomar os estudos e fazer algum concurso público. "Tenho medo do meu futuro. Já vi travesti com 40 anos fazendo programa, mas são poucos casos. Preciso ter uma segurança financeira mais para frente". (D.C.)

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