A busca pela tradição na fé
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Marcela Rocha Mendes<br> Equipe da Folha 
Se contarmos todas as religiões, ceitas e vertentes dentro das igrejas, as opções são muito numerosas. Mas, ainda assim, muitas pessoas, na hora de expressar a sua fé, fazem questão do tradicionalismo.
Desde que o Papa Bento XVI permitiu a celebração da missa no rito Tridentino, há um ano, muitos fiéis encontraram a sua devoção na Igreja da Ordem. Nas missas de domingos, às 10 horas, o Monsenhor Luiz de Gonzaga Gonçalves celebra as orações em latim, acompanhado de um coral de Canto Gregoriano. A Igreja da Ordem, de Curitiba é uma das 71, dentre 8.602 paróquias brasileiras, que celebram a missa tradicional.
De acordo com Monsenhor Luiz, a missa Tridentina, ou Tradicional, era celebrada uma vez a cada dois meses na Capela da Polícia Militar. Mas, um grupo de cerca de 200 pessoas pediu que o rito passasse a ser semanal. O sacerdote precisou relembrar os primeiros anos após a ordenação, já que, desde o final da década de 60, a missa passou a ser, obrigatoriamente, no rito Novos Ordu ou atual.
A missa tradicional é toda falada em latim, com exceção das leituras que podem ser feitas no idioma do país onde é celebrada. Mas os fiéis podem acompanhar uma tradução disponibilizada nos livrinhos impressos pela Igreja da Ordem. No folheto, todos os gestos e atos do celebrantes são explicados.
Para o celebrante, "muitos não têm dificuldades com a questão da língua por terem estudado o latim na época de escola". Ele conta que precisou revisar o idioma que não praticava há muitos anos. A justificativa de usar o latim é por ser um idioma que não sofre mais alterações, o que preservaria a missa de erros litúrgicos.
O sacerdote fica, em grande parte, de costas para o povo. A posição é definida como "ad Orientem", ou seja, em direção à Terra Santa, onde Jesus foi crucificado, ou "versus Deum", voltado para Deus Filho, guardado no sacrário "sob as espécies do pão".
Outro sinal que diferencia esta celebração das demais são os trajes das fiéis. Muitas mulheres, de todas as idades, utilizam um véu sobre a cabeça. Segundo Monsenhor Luiz, o uso do véu não é obrigatório, mas é uma questão de costume e um sinal de respeito.
Para a servidora pública Ircineide Santos Soares, de 56 anos, a missa tradicional traz uma espiritualidade não encontrada em outras celebrações. "É um ritual que ajuda a me concentrar mais na minha oração. Me sinto melhor frequentando essa missa e até meus filhos já estão adquirindo o hábito", diz. Ela explica que usa véu por opção pessoal e que o latim não é um problema por ter estudado o idioma ainda na escola.
Na opinião da maestrina do coral de Canto Gregoriano, Maria Madalena Wagner, toda missa tem igual valor e não é possível comparar, mas a celebração tradicional recebe muitos elogios de quem nunca tinha assistido ao rito. "Muitas pessoas que têm necessidade de recolhimento, da solenidade, do canto mais orante e acho que elas encontram isso na missa da Igreja da Ordem", avalia. Segundo Luiz, a receptividade da comunidade tem sido cada vez maior. Cerca de 200 presentes lotam os bancos da igreja todos os domingos.
SERVIÇO
- Aulas de Latim e Canto Gregoriano
Terças e quintas-feiras, 19h30, na Catedral.
Preço em 2008: matrícula
R$ 15,00 e mensalidade R$ 50,00
Informações: (41) 3324-5136


