Curitiba- Desde que a poesia e o amor foram inventados, poetas e enamorados não se cansam de observar o céu estrelado na busca de inspiração. Astrólogos usam os corpos celestes na tentativa de determinar a influência de cada um sobre o destino e comportamento dos homens. Mas mais do que despertar o romantismo e instigar o misticismo, os astros e entre eles as estrelas são base de pesquisas e descobertas que, mesmo sem termos noção, fazem parte do nosso dia-a-dia.
Esse desconhecimento vem de uma imagem errônea da astrologia (ciência que trata da posição, movimentos, constituição e evolução dos astros). Quando fala-se em astronomia, vem à cabeça a imagem de cientistas com seus telescópios, à procura de novos corpos celestes. Cada vez mais, no entanto, nota-se aquilo que os antigos já sabiam: os astros fazem parte de nosso ambiente, a astrologia está ao nosso redor, em coisas do cotidiano e mais, as descobertas feitas em explorações do espaço extraterrestre contribuem cada vez mais para nosso bem-estar.
''Não se trata de falar da influência dos astros no nosso cotidiano, mas de reconhecer que eles fazem parte da nossa vida. Para começar, nós moramos em cima de um deles. Em volta da Terra tem a Lua, sem a qual não teria vida no nosso planeta. E a Terra gira em tono do Sol. Sem ele, não haveria atmosfera, tudo seria congelado e não estaríamos aqui'', diz Maurício José Kaczmarech, astrônomo amador, integrante da Sociedade Princesina de Ciências Astronômicas, de Ponta Grossa, e coordenador do 1º Encontro Paranaense de Astronomia (Epast), que acontece entre hoje e segunda-feira, em Ponta Grossa.
Com objetivo de reunir e integrar interessados na ciência e entidades do estado que trabalham de forma profissional ou amadora, o evento contará com palestras, oficinas e apresentação de resumos, com temas que abordam desde a história da astronomia, matemática na Astronomia, instalação de observatórios, construção de telescópios, vida extraterrestre, turismo espacial, o comércio e o espaço cósmico, entre outros assuntos. Segundo ele, a intenção é repetir o encontro anualmente, com um rodízio entre as cidades paranaenses. Já há indicativo para que o Epast 2005 seja realizado em Londrina.
Algumas descobertas da história são provas da importância dos astros: a contagem dos dias e das noites permitiu a primeira contagem do tempo; a presença de certos grupos de estrelas no céu passou a indicar os períodos de seca e chuva e, portanto, a época adequada ao plantio e à colheita; a posição do Sol no horizonte ao longo do ano ajudou a compreender as estações; a lua e o sol determinam o regime das marés que, por sua vez, influencia o ritmo da pesca.
Foram também as noites estreladas, e suas constelações, que guiaram navegantes chineses e ocidentais durante séculos em aventuras pelos mares.
''Na sua busca de desvendar as complexas engrenagens dos movimentos celestes, o homem foi criando novas ferramentas para entender a natureza. Sem astronomia não conheceríamos as Leis de Newton. E foi a Mecânica Celeste quem inspirou o surgimento do cálculo diferencial e integral, utilizado hoje em meios tão diversos quanto a Medicina, Engenharia e Economia'', cita um texto anônimo na internet.
''A astronomia, que teve grande importância no desenvolvimento das civilizações, hoje fica aparentemente mais longe de nossa vida diária. Ninguém mais usa relógios de sol, as estações do ano e as variações climáticas são deduzidas por cálculos e imagens de satélites'', avalia, ressaltando novos temas que vêm sendo estudados. A exploração do espaço, por exemplo, resultou em vários benefícios.
O empreendimento para lançar um satélite ou uma nave tripulada trouxe a tecnologia dos microprocessadores, das vestimentas térmicas que protegem bombeiros e salvam a vida de bebês prematuros e o desenvolvimento de novos métodos de análises clínicas, entre tantos outros.

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