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Camargo Peterson Rosa, um dos melhores brasileiros no ranking mundial, em ação num tubo de Pipeline, Havaí, com uma prancha feita em Matinhos por Rubens Canfield (foto de baixo)



O garoto, então com sete anos, olhou para a velha tábua de passar roupa da mãe e teve uma idéia que começou a executar na hora: fazer uma prancha de surf. O pedaço de madeira chegou a receber uma quilha improvisada e até uma pintura, mas nunca foi levado até a água salgada. Brincando na garagem de casa, em Paranaguá, o menino contentava-se, na época, em surfar ondas imaginárias.
Hoje, aos 34 anos, Rubens Canfield, o autor daquela improvisada prancha de madeira, é o shaper mais reconhecido do Paraná - shapers, para os não iniciados, são os profissionais que fabricam as pranchas de surf, num trabalho totalmente artesanal. Em Curitiba e no litoral, o mercado de trabalho desses escultores do surf vem crescendo muito nos últimos anos. Novos shapers estão conquistando espaço nas lojas e os empresários do ramo apostam em bons negócios.
Rubens Canfield, com sua fábrica em Matinhos, desempenha um papel importante nessa tendência. Isso por causa do destaque que o surfista Peterson Rosa, paulista radicado na mesma praia na qual trabalha Canfield, vem alcançando nas competições dentro e fora do país.
Utilizando pranchas feitas por Canfield, Rosa, além de ser o único surfista do estado que já venceu um título brasileiro (o de 1994), está em franca ascenção dentro do ranking mundial. Ele compete de igual para igual com os melhores do mundo usando as pranchas do shaper paranaense, mesmo em locais como Havaí, Austrália e Indonésia, onde estão algumas das ondas mais famosas, perfeitas e - também - perigosas do planeta.
Kraw Penas




Enquanto surgem novos talentos locais como Rodrigo Jobs (foto de cima), fábricas mais antigas como a de Canfield (foto de baixo) vem encontrando uma procura crescente para pranchas de vários modelos e cores
‘‘Como o Peterson está se dando bem com minhas pranchas, o trabalho dos shapers paranaenses, de uma maneira geral, conquista cada vez mais respeito’’, admite Canfield.
Rosa e Canfield têm uma amizade antiga, cultivada nas ondas de Matinhos desde o tempo em que o primeiro era apenas uma promessa, mas só este laço não seria o suficiente para garantir o vínculo profissional que os une. ‘‘As pranchas de Canfield são tão boas ou melhores do que qualquer outra marca brasileira, apesar de grande parte dos surfistas paranenses ainda não valorizar tanto e até dar preferência para as marcas de fora do estado’’, avalia Rosa.
‘‘No campeonato mundial, o nível dos atletas é muito elevado. Por melhor que seja, uma prancha não ganha nada sozinha, mas uma prancha ruim pode por tudo a perder’’, completa o surfista, ressaltando que com o equipamento de Canfield se sente totalmente solto na água.
O destaque alcançado por Canfield já começa a fazer efeito dentro do mercado. ‘‘A modinha de comprar só pranchas de outros estados, de marcas mais conhecidas e caras, tende a diminuir’’, atesta Clóvis Alberto da Cruz, 32 anos, o ‘‘Beto Urso’’, proprietário da fábrica de pranchas OZ e com experiência de 17 anos no ramo.
Na OZ, trabalham cinco shapers. Rodrigo Jobs, 24 anos, um dos mais novos artistas do shape da cidade, é um deles. ‘‘Shapeando’’ há cinco anos, ele também aposta numa maré crescente para os negócios. Com uma produção média de 15 pranchas por mês, até o final do ano tem planos de dobrar a produção. ‘‘Está mais fácil conseguir matéria prima de melhor qualidade, incluindo os blocos de poliuretano, tecido de fibra de vidro e resinas, e com isso temos condições de competir com os shapers mais conhecidos do país’’.

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