Londrina foi palco da construção da segunda mesquita do Brasil e da América Latina, na década de 1970. Esse marco foi responsável por dar alento religioso aos muçulmanos, já que nesta época a cidade abrigava dezenas de famílias árabes, sobretudo libaneses e sírios, que iniciavam suas atividades comerciais, com concentração na região mais antiga do Calçadão. O projeto ganhou força e reconhecimento, tanto que o local é considerado ponto de encontro não só da religião, mas da cultura e dos costumes árabes para seguidores de todo o País.
Incumbido da tarefa de liderar a comunidade religiosa, o Sheik Ahmad Saleh Mahairi, que inicialmente ficaria dois anos na cidade, completou quatro décadas de vida em Londrina. De acordo com ele, a abertura da mesquita propiciou que os árabes pudessem exercer sua fé com mais liberdade, sem se sentir estranhos em uma cultura predominantemente católica. "Hoje, Londrina é referência em harmonia entre as manifestações religiosas. A paz existente aqui é inacreditável", diz o sheik, que constituiu família em solo londrinense de onde não pretende sair.
Essa tolerância, para Mahairi, possibilitou que os jovens de agora retomassem alguns costumes, até mesmo vestimentas, sem medo do preconceito. "Muitas meninas estão usando o véu no dia a dia." Ainda assim, o desafio maior é trabalhar pela preservação dos valores. "O ambiente em que o jovem vive é o professor da vida. Mas, disponibilizamos material e livros para que os pais possam educar seus filhos com base nos ensinamentos do Alcorão. O aprendizado é pelos livros e pela fé", reitera. (M.T.)

Imagem ilustrativa da imagem A Arábia Saudita
| Foto: Ricardo Chicarelli
Na década de 1970, Londrina foi palco da construção da segunda mesquita do Brasil e da América Latina
mockup