70 razões para amar Londrina
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sexta-feira, 10 de dezembro de 2004
Karla Matida<br>Reportagem Local 
1 - Cartão mais do que postal, o Lago Igapó se divide em quatro tamanha a beleza. É ponto turístico, ponto de encontro e muitos pontos positivos quando o assunto é admirar a natureza.
2 - Na chamada terra roxa, característica da região, em se plantando tudo dá. Mas a cor que dá nome à terra é pura poesia já que o tom real é mesmo o vermelho, que define o morador da cidade, o tal pé-vermelho. Alegre e hospitaleiro, ele seduz os visitantes.
3 - Mil metros e alguns passos mais formam a volta completa do Zerão, espaço para caminhadas, corridas, jogos e muita paquera. O nome verdadeiro? Área de Lazer Luigi Borghesi, muito prazer.
4 - No Parque Arthur Thomas passeios a pé ou de pedalinho são um convite para o contato direto com a natureza.
5 - Vira e mexe e o nome do dramaturgo Mário Bortolotto aparece na lista de indicados para o Prêmio Shell em São Paulo. Talento reconhecido pela crítica e pelos colegas.
6 - Antiga Estação Ferroviária, o agora Museu Histórico Padre Carlos Weiss também já tem a história gravada nos tijolos do prédio de belos traços.
7 - A Praça Rocha Pombo tem a seu favor o fato de ficar entre dois museus, o que confere bela paisagem à
vizinhança.
8 - Mesmo que não tivesse exposição alguma em cartaz, o Museu de Arte já valeria a visita. Antiga Rodoviária, o prédio de linhas curvas tem assinatura inspirada de Vilanova Artigas.
9 - Com projeto original de Oscar Niemayer, o Terminal Rodoviário tem um toque futurista para abrigar um meio de transporte dos mais tradicionais. Além do entra-e-sai de ônibus, o Terminal também é palco para empreendedores, já que é por lá que acontece a Feira da Oportunidade.
10 - Recém-reformado, o Aeroporto ganhou as devidas proporções para as dezenas de vôos semanais que administra. Gente que vai para longe, para perto ou mesmo que não vai a lugar algum passa por lá, nem que seja só para ver os aviões.
11 - Cidade quente, muito quente, Londrina, quem diria, recebeu tal nome como homenagem dos pioneiros ingleses. E não é que vez ou outra aparece uma romântica neblina para lembrar o fog londrino?
12 - Pai japonês, avô italiano, marido alemão, filho 100% londrinense. A mistura de raças por aqui é o que molda a população da cidade. Povos de outros estados também formam o sotaque
diferenciado.
13 - Na ponta dos pés, o Ballet de Londrina tem reconhecimento internacional e segue criando espetáculos elaborados para serem apresentados aqui e lá fora.
14 - A réplica de cabine telefônica inglesa, quase às margens do Lago, e a versão reduzida da Torre Eiffel, da Aliança Francesa, fazem a alegria de quem adora ser surpreendido. Como é que elas vieram parar aqui?
15 - Três bares, três longas histórias. Com 25 anos cada, Valentino e Vilão por pouco não alcançam o Bar Brasil, que tem mais que 50 anos.
16 - Cidade que adora os aumentativos, Londrina chama (carinhosamente) o Ginásio de Esportes Professor Darci Cortez apenas de Moringão. Do Rei Roberto Carlos aos Globtrotters, muita gente já passou por ali.
17 - O Calçadão é prova de que Londrina, mesmo com seus quase meio milhão de habitantes, segue com delicioso espírito de cidade pequena. É ponto de encontro de amigos e também local de protestos e campanhas.
18 - O Teatro Ouro Verde carrega no nome a lembrança da época gloriosa do café. A última reforma preservou a arquitetura e o charme de outrora.
19 - Ao fugir da arquitetura convencional das igrejas, a Catedral tem nas suas formas triangulares a sua singularidade.
20 - Um mês por ano, o Festival Internacional de Londrina, o querido Filo, faz a cidade respirar teatro. As apresentações acontecem por todos os cantos. Grupos dos mais variados pontos do planeta desembarcaram por aqui nos últimos 36 anos.
21 - Em julho, o Festival de Música aquece a cidade com o vaivém de alunos e professores. No final de novembro, é a vez do Londrina Jazz Festival. Ele é o caçulinha dos festivais, mas já garantiu o lugar na agenda cultural com duas edições bem-sucedidas.
22 - Oportunidade de boa leitura para muitos freqüentadores, a Biblioteca Municipal tem ainda um dos vitrais mais lindos da cidade.
23 - Berço de beldades, a cidade tem modelos brilhando lá fora como a linda Michelle Alves, a nova estrela da Chanel.
24 - Assim como um professor planeja as aulas do ano letivo, os paisagistas da UEL fizeram bem-feito o dever de casa: o campus muda de cor e de cara a cada estação com seus jardins bem cuidados
25 - Nascido como grupo de teatro do Colégio Delta e depois conhecido como Bombom Pra Que Se Pirulito Pra Se Chupar, o sempre elogiado Armazém, mesmo radicado no Rio de Janeiro, não esquece as origens.
26 - O amor pelo teatro é a receita de longevidade de grupos como Boca de Baco e Fase 3 (formado por atores da terceira idade), que estão há mais de uma década e meia apresentando espetáculos premiados.
27 - A Mesquita Muçulmana Rei Faiçal é marco de arquitetura e também demonstra que a cidade é aberta para todas as religiões.
28 - Entre os budistas, o Templo Honganji é todo em madeira e foi construído seguindo as diretrizes da arquitetura japonesa.
29 - Com capacidade para 45 mil pessoas, o Estádio do Café já viu muitas vitórias do Tubarão e também a campanha vitoriosa da seleção pré-olímpica. De lá, uma vista privilegiada da cidade.
30 - No Anfiteatro do Zerão, a proposta democrática é a mesma. Só muda a vizinhança (com muito verde). A arquibancada também abriga leitores ou apenas admiradores da natureza.
31 - Quem não se emociona ao ouvir a Orquestra Sinfônica da UEL? Imagine então quando a apresentação é ao ar livre no Zerão...
32 - Quinhentos quilômetros de São Paulo, 14 horas de ônibus do Rio de Janeiro. Mesmo distante do eixo Rio-SP, Londrina tem entrado para a agenda de muitas bandas internacionais graças aos esforços da produtora Madame X. Além disso, também produzem o Londrina Jazz Festival e tem cuidado da programação do Cabaré do Filo.
33 - Este ano, a banda Grenade teve dois momentos de glória internacional, mesmo tocando em solo brasileiro. Isso porque foi convidada para se apresentar ao lado da lendária Pixies e da The Libertines em eventos como o Curitiba Pop Festival e Tim Festival. Não é pouca coisa.
34 - Com quatro edições no currículo, o Festival Demo Sul quer mais é jogar os holofotes em quem ainda não tem um currículo muito extenso. De modo que serve de palco para muitas bandas novas. Mas sem deixar de dar espaço para quem já tem anos de estrada.
35- Democrática, a Concha Acústica não faz distinção de quem vai se apresentar. Pode ser Dona Ivone Lara, um show de rock ou mesmo a animada entrega da lista dos aprovados do vestibular.
36 - Ruas temáticas existem em outras cidades, mas só mesmo por aqui para encontrar tantos consultórios e laboratórios como na Rua Senador Souza Naves. Ou tantas guloseimas como na Avenida Santos
Dumont.
37 - Rua de comércio? Não tem para outra que não a Rua Sergipe. Para a turma das artes manuais, a Tricolândia. Para as formigas, o Mister Cuca.
38 - Para a alegria das várias etnias, restaurantes dos mais variados cantos. Bacalhau e pastéis de Belém estão lá no Cantinho Português, que não tem banheiro e sim casa de banho. O italiano mais charmoso é o La Gôndola para onde vai a maioria das visitas ilustres. Onde mais encontrar numa mesma mesa os globais Tânia Kalil, Bruno Gagliasso e Erik Marmo?
39 - Com décadas de história, o Kiberama vale a visita não só pelos quibes e esfihas como também pelo espaço, que vem se mantendo quase intocado com o passar dos anos.
40 - Um quitute clássico em Londrina? Tem gente que nem pisca e já fala logo na Vitamina da Sergipe. Acompanhada de pastel, claro.
41 - Ainda na lista de delícias tradicionais e que já não são mais segredo, não dá para esquecer o suco da rodoviária. As misturas de frutas não atraem só viajantes.
42 - Não é de hoje que o clã Kanashiro toma conta do Baiano das Batidas, apelido do patriarca. Se as batidas são famosas, as porções de aperitivos também não ficam atrás. Com o chef Adriano, radicado em São Paulo, a segunda geração da família segue deliciando os clientes.
43 - Festa anual, a Casa Japão reúne os londrinenses em torno da cultura oriental. Comida e danças típicas dão o tom à festa. O Bon-Odori moderno não deixa ninguém parado.
44 - Para gourmets ou gourmands, o passeio pelo Mercado Shangri-lá vale como visita ao paraíso. As delícias estão todas lá.
45 - Quem curte feira de rua sabe que no centro, a mais completa é a de domingo, nas redondezas do Cemitério São Pedro.
46 - E no quesito diversidade, a quilométrica feira de domingo da Avenida Saul Elkind é imperdível.
47 - Tudo nos Cinco Conjuntos tem grandes proporções. O Cincão Fest também não deixa por menos. O evento anual reúne música, alimentação e comércio. Uma festa para todos os sentidos.
48 - Quem disse que feira só acontece durante o dia? A Feira da Lua é mesmo uma praça da alimentação a céu aberto.
49 - Para orgulho acadêmico, por aqui estão instituições de pesquisa conceituadas como Embrapa Soja, Iapar e Emater.
50 - Figura ilustre, o jornalista João Milanez não só fundou a Folha como faz questão de estar sempre presente tanto na redação como nos eventos da cidade.
51 - Quem é que consegue reunir mais de 150 mil pessoas num mesmo dia? A Exposição Agropecuária e Industrial, que atrai visitantes de toda a região. Até caixa de supermercado entra no clima e usa chapéu de caubói.
52 - O padrinho das ruas de Londrina estava inspirado quando resolveu colocar nome em todas elas. Quando juntou países num canto, estados num outro e cidades numa outra parte, facilitou a vida de muita gente.
53 - Nem só de Ouro Verde vive Londrina. O Teatro Marista já se acostumou a receber espetáculos ilustres e shows também. No intimista Zaqueu de Melo, o movimento é intenso durante o Filo.
54 - Metamorfose: os organizadores a chamam de a maior festa à fantasia do mundo. E deve ser mesmo. Qual outra cidade consegue reunir 25 mil pessoas (público da edição deste ano) fantasiadas no mesmo espaço?
55 - O lado fashion da cidade está cada vez mais ligado às produções locais. Tanto que ganham os holofotes eventos como o Estação Fashion, que privilegia grifes e estilistas pés-vermelhos e o Catuaí Collection, que abre espaço para alunos da Universidade Estadual de Londrina.
56 - Setecentos e noventa hectares de verde formam a deslumbrante Mata do Godoy, transformada em Parque Estadual em 1989 e aberta ao público em 1995.
57 - Com 56 anos, a Folha de Londrina mistura sua história com a da cidade.
58 - Casa da Exposição Agropecuária, o Parque de Exposições Ney Braga não fica ocioso no resto do ano, não. Leilões e shows também passam por lá.
59 - Nos campos do mundo, verdadeiros pés-vermelhos brilham: estão jogando na Europa (e não é de hoje) Élber e Vagner
60 - Do início da carreira, na piscina da Acel, até a quinta Olimpíada consecutiva, o nadador Rogério Romero tem muitas vitórias para lembrar e ser lembrado.
61 - As garotas douradas da seleção brasileira de Ginástica Rítmica não só treinam aqui, como é para cá que trazem os troféus que conquistam mundo afora. Incluindo as duas medalhas de ouro dos últimos Pan-Americanos
62 - Indicado ao Prêmio Jabuti, o escritor Domingos Pellegrini sempre alcança ótimas críticas com seus livros. E Londrina está sempre nas entrelinhas.
63 - Cenário para as filmagens de Gaijin 2, Londrina se prepara para ser um núcleo de cinema. Curtas-metragens como Cine Paixão, de Caio Cesaro, tem participado de festivais em todo o Brasil.
64 - Big Ben à moda londrinense, o Relojão nasceu com dupla função. Além de marcar as horas não há desculpas para atraso por aqui , ele também é referência de quem anda pelo centro da cidade.
65 - Tempos atrás, um engraçado colunista paulistano desembarcou em Londrina para uma palestra com uma segunda intenção. Provar o peixe na telha (O Espanhol) que um amigo jornalista tinha indicado. E olha que naquela época o restaurante nem ficava assim tão pertinho do aeroporto.
66 - O Autódromo Internacional Ayrton Senna ganhou o nome depois da morte do piloto. A homenagem segue em cada competição seja da Stock Car ou Fórmula Renault.
67 - É clichê falar que o Bosque é o coração verde da cidade. Mas como não pensar nisso olhando para os dois quarteirões de árvores e mais árvores? Então não pense, só respire fundo e admire.
68 - A mais charmosa das avenidas, a Higienópolis está cada vez mais comercial. Mas enquanto as mansões, como a que foi construída pela família Garcia Cid, forem preservadas, a elegância permanece.
69 - As três torres que formam o Centro Comercial já viram muita coisa acontecer. Mas é no térreo que os moradores e não-moradores se divertem. Na hora do lanche, um misto quente do Estoril. Para as compras, as bugigangas do Oceano Pacífico. Para consertos especiais, a Renovadora Central de Calçados é parada obrigatória.
70 - Sua razão para amar Londrina não entrou nesta lista? Que tal se apropriar do número 70 para inclui-la?
Leia mais nas páginas 6 e 7.


