691 bilionários ultrapassam barreira de US$ 1 bilhão
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de dezembro de 2005
Daniel Hessel Teich<br> Agência Estado 
São Paulo - Nos últimos anos, a profissionalização dos grandes conglomerados fabricantes de produtos de luxo democratizou o universo das grifes numa escala sem precedentes. Chanel, Gucci, Bulgari, Cartier, Dior, Tiffany, BMW e Mercedes-Benz, antes marcas exclusivas, hoje são acessíveis para ricos e às vezes nem tanto de todo o planeta. É um mercado avaliado em quase US$ 1 trilhão que deve crescer ainda mais, pois o número de ricos está aumentando.
O banco de investimentos americano Merryl Linch e a consultoria Capgemini calculam que entre 2003 e 2004 a quantidade de milionários no planeta cresceu 7,3%. São 8,3 milhões, dos quais 98 mil estão no Brasil. Somada ao contingente de afluentes, com patrimônio entre US$ 250 mil e US$ 1 milhão, a multidão de compradores potenciais de produtos caros e de luxo aumenta consideravelmente. E a tendência é que esse crescimento se mantenha em no mínimo 6,5% ao ano pelos próximos cinco anos.
Paradoxalmente, esse crescimento tão exuberante cria um problema para as empresas de artigos de luxo, que faturam como nunca. Uma ínfima parcela de seus clientes, os super-ricos (gente com uma fortuna maior que US$ 30 milhões) e os bilionários (691 pessoas que ultrapassaram a barreira do US$ 1 bilhão), começam a torcer o nariz para a massificação de suas marcas tão amadas. O resultado é que empresas que se tornam mais competitivas em custos e atraentes para uma parcela maior da população estão dirigindo seu foco para produtos que raríssimas pessoas no planeta poderão usufruir.
''No mercado de luxo, a tendência é sempre a base querer galgar degraus rumo ao topo e o topo querer se afastar cada vez mais da base'', explica o consultor Carlos Ferreirinha, especializado em mercado de alto luxo. ''Os muito ricos querem produtos que sejam, antes de mais nada, únicos. Nesse ponto nem importa o preço, mas sim o fato de ser feito com matérias-primas raras, em número reduzido, ou que ofereça uma experiência única para quem paga por ele'', diz Ferreirinha.
Tome-se a joalheira Tiffany&Co., baseada na Quinta Avenida, em Nova York, espalhada por 16 países e com duas lojas no Brasil. Enquanto suas lojas em São Paulo vendem anéis, colares, pulseiras e braceletes de vários milhares de reais em até três prestações uma concessão única em todo mundo , nos Estados Unidos a empresa criou uma promoção com a revista ''Robb Report'', bíblia do consumo de luxo, em que venderá um diamante de 25 quilates por US$ 1 milhão a um leitor da publicação. Mas são os detalhes da promoção que a deixam mais interessante. O feliz comprador visitará a mina de onde a pedra saiu e depois acompanhará em Nova York todo o processo de lapidação, com direito de dar palpites sobre o estilo da jóia a ser criada sob medida.


