50 atuam na Getúlio Vargas e Iguaçu
"Muita gente diz que travesti é violenta e gosta de briga. Não que eu defenda. Existem sim pessoas maldosas, homens maldosos, gays maldosos. Não são apenas os travestis. Mas você apanha o dia inteiro na rua, apanha fisicamente ou moralmente todo dia, levanta da cama e é agredida, não tem apoio da família e não consegue estudar. Se sofresse isso todo dia você ia sair sorrindo? É um pouco de revolta por conta de todo o sofrimento que a gente passa", opina Rafaelly Wiest.
Segundo o Grupo Dignidade, há alguns meses houve um aumento no número de agressões contra as travestis que trabalham nas ruas. Os insultos são frequentes. As profissionais que atuam nas Avenidas Getúlio Vargas e Iguaçu são alvo de ovos e pó químico de extintores dos carros que passam pelo local. Às vezes carros repletos de homens param na região e mandam as profissionais saírem de lá.
A cada três dias uma travesti é agredida fisicamente. O dado também foi divulgado pela Ong. São vários casos que chegam até o grupo. Esses dias uma levou um soco de um cliente que não quis pagar o programa. Outra fez o programa e o homem, depois de roubar a bolsa da travesti, ainda a chutou pra fora do carro em movimento. Alguns clientes são roubados e descontam a raiva em outras profissionais em forma de agressão física.
"Fizemos várias reuniões com a polícia. Eu não apoio as que não trabalham corretamente. Se o policial passar e ver que alguma não tem postura adequada, pode chamar a atenção ou se for mais grave levar para a delegacia. Acho que cada pessoa tem que saber seu limite, mas não é certo generalizar", explica Rafaelly. Acredita-se que são duas travestis que causam confusão entre as outras 48 que atuam na Getúlio Vargas e na Iguaçu.
Um dos últimos casos de assassinato de uma travesti ocorreu em novembro. Ela fez o programa e o cliente, após matá-la, jogou o corpo em um esgoto no Parolim. O assassino não foi encontrado. "Em alguns casos entendemos que é por falta de dados. Mas não vemos nenhum tipo de mobilização. No começo do ano uma travesti de Londrina foi assassinada. Ninguém foi preso".
Em nota oficial enviada à FOLHA, a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) esclarece "que sempre tratou com extremo respeito e atenção as questões de violência cometida contra qualquer ser humano. Todos os casos encaminhados à polícia do Paraná são investigados com a mesma dedicação sem qualquer tipo de discriminação". A nota ainda diz que a Delegacia de Homicídios de Curitiba se coloca à disposição de representantes do Grupo Dignidade para ter conhecimento dos nomes das travestis assassinadas e mostrar os resultados das investigações de cada um dos casos. A assessoria de imprensa da Sesp informou não existir uma estatística específica de crimes contra travestis pois isso poderia ser caracterizado como preconceito. (D.C.)





