35 sonoros anos
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quinta-feira, 09 de julho de 2015
Marcos Roman<br>Reportagem Local 
A excelência da programação artística e pedagógica e os números expressivos não deixam dúvidas quanto à magnitude e grandiosidade do Festival de Música de Londrina (FML). Em 35 edições realizadas a partir de 1979, o evento contabiliza um público estimado em cerca de 2 milhões de pessoas. Soma-se a esse índice 28 mil alunos inscritos em mais de 1,7 mil cursos ministrados por aproximadamente 1,5 mil professores de renome nacional e internacional.
Com mais de 2 mil concertos promovidos desde a sua criação, o FML transforma o inverno londrinense na estação mais sonora do ano. Teatros, praças, museus, igrejas, hospitais, creches, empresas, espaços abertos e até ônibus que fazem transporte coletivo servem de palco para apresentações de músicos de diversos cantos do mundo e dos mais variados gêneros e estilos.
Em mais de três décadas de trajetória o FML venceu várias crises econômicas. Sobreviveu a diversas trocas de governo. Enfrentou inúmeros desafios. E firmou-se como um dos maiores festivais do País, com reconhecimento até no exterior.
Embora faça parte da identidade cultural local, o projeto que deu origem ao FML inicialmente não tinha Londrina como cidade-sede. "Fui convidado para fazer uma apresentação ao lado do meu irmão (Henrique de Curitiba) no Teatro Ouro Verde. O concerto estava lotado e ficamos impressionados com a receptividade dos londrinenses. Pouco tempo depois recebi um proposta do então secretário de Cultura do Governador Ney Braga, Luiz Roberto Soares, para criar um festival de música barroca em Antonina (Litoral). Mas sugeri que o evento fosse criado em Londrina pois percebi a possibilidade da cidade se tornar um polo cultural para o Norte do Paraná", relata o flautista e regente curitibano Norton Morozowicz, idealizador do FML.
Segundo ele, apesar de as duas primeiras edições terem sido realizadas de forma tímida em pouco tempo o FML já dava sinais de sua enorme potencialidade. "A partir da terceira edição o festival já ganhou dimensão nacional. Foi um período de muito trabalho, mas que valeu a pena. O resultado está aí: um evento que abraça todas as músicas e que proporciona experiências únicas para o público e também para músicos de diversos estilos e de todas as partes do mundo", salienta.
DIFERENCIAIS
Diretor artístico do FML há mais de 10 anos, o pianista Marco Antonio Almeida salienta que o evento faz jus ao slogan de "Festival de Todas as Músicas". "É claro que estamos em falta com algumas músicas, mas a programação vai do rock à ópera, passando pelo chorinho, jazz, MPB e música de raiz, entre outras", avalia.
Ele aponta vários diferenciais do FML em relação a outros eventos do gênero. "Promovemos uma abertura para atingir todos os públicos. Levamos gente jovem para ouvir música clássica como entretenimento, sem compromisso, como opção. Os testes para os cursos do festival não são eliminatórios, são de classificação, ou seja, todos podem participar. Promovemos concursos de Música de Câmara, de Música Criativa, de Jovens Solistas e eventos didáticos como o Encontro Nacional de Composição Musical de Londrina (EnCom), o Simpósio Paranaense de Educação Musical (Spem), o Encontro Nacional do PIBID Música e o Encontro Nacional de Projetos Socioeducativos. Além disso, o FML é o único festival do Brasil em que os melhores alunos do curso de regência têm a chance de reger uma orquestra sinfônica no concerto final do evento", destaca.
PÚBLICO DE A A Z
Outra característica típica do FML é o atendimento a diferentes clientelas. "Temos desde o Kids Festival, com mais de oito cursos para as crianças, até atividades para a terceira e melhor idade. Oferecemos música para alunos com necessidades especias, como a Musicografia Braile e Música para Jovens com Baixa Audição, além da musicalização com as detentas do 3º Distrito Policial de Londrina. Já em relação ao público, atendemos entendidos, entendedores, curiosos e apreciadores", enfatiza.
TROCA DE EXPERIÊNCIAS
Ex-aluno e atual professor do FML, o compositor e multi-instrumentista André Siqueira ressalta a importância do evento na formação de músicos e também de público. "O contato durante 15 dias entre músicos de formações diversas em um mesmo espaço propicia uma convivência muito rica. A troca de experiências que acontece vai muito além da sala de aula pois o festival tem essa característica de festa, de congregação. E tem ainda a questão da formação de público que é essencial para a sobrevivência dos músicos e da arte", afirma.





