30 anos de rock
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Quando se fala na história do rock do Paraná e em especial do rock de Curitiba, é impossível deixar de citar o Blindagem. A banda veterana está completando 30 anos de formação em grande estilo: um show que estréia nesta semana no Teatro Guaíra mistura o som com influências de Beatles, Rolling Stones e rock dos anos 1970 do grupo com a linguagem erudita da Orquestra Sinfônica do Paraná (veja box).
O baixista Paulo Juk considera que a parceria inédita coroa os 30 anos de existência da banda, longevidade que chama a atenção num Estado como o Paraná, onde poucos grupos de rock têm trajetórias de muitos anos. Ele destaca que o Blindagem - integrado também por Ivo Rodrigues (vocalista), Paulo Teixeira (guitarra), Alberto Rodriguez (guitarra) e Rubén Pato Romero (bateria) - mantém quase 100% da formação original.
A única mudança que tivemos foi a troca de baterista, há 22 anos, diz Juk. Consideramos muito a amizade que temos. Por isso estamos juntos até hoje. No Brasil, existem bandas com a mesma idade ou até mais, mas mudaram de formação umas 300 vezes,
argumenta o vocalista Ivo.
Quando a banda se formou, o rock ainda era mal visto no Brasil. Eu trabalhava com o (Paulo) Leminski (escritor curitibano) como jornalista. Fiz amizade com o Ivo e com a turma do pinéu, como o Leminski chamava. Fizemos uma viagem para a praia e o Ivo me mostrou músicas que não eram aproveitadas na banda dele, a Chave, feitas em parceria com o Leminski. Resolvemos fazer um show com
essas canções, lembra Juk.
O baixista conta que a repercussão positiva rendeu um convite para uma apresentação no Rio de Janeiro. Ivo disse que não iria sozinho e então surgiu o Blindagem. Eu que dei o nome da banda. Estávamos procurando um nome e um amigo me falou de uma notícia que tinha visto: um morteiro tinha atingido a blindagem de um tanque israelense, e não tinha acontecido nada. Pensamos: Blindagem é um bom nome, heavy metal..., relata Juk, entre risos.
Ele recorda que aos poucos, em apresentações no circuito cultural de Curitiba, em locais como o Paiol, o Centro de Criatividade do São Lourenço e o Palco Flutuante do Passeio Público, o Blindagem foi chamando atenção. Por mais que o cenário musical parecesse menor à época, acho que era mais atrativo para quem fazia música própria. Não havia tanto mercado de bar. Hoje, você vê grandes músicos e grandes bandas em
Curitiba obrigados a tocar covers
nos bares, diz Juk.
Com algumas aparições na mídia nacional, o Blindagem conseguiu contatos que renderam oportunidades de lançar discos por grandes gravadoras, como Polygram, Continental e Warner. Nesses 30 anos, a banda lançou sete discos, entre álbuns e relançamentos.
O baixista afirma que hoje o Blindagem não é tão famoso no restante do Brasil como é no Paraná, mas deixou sua marca. O Blindagem é bem conhecido, mas não dá para dizer que é um sucesso nacional. Tivemos nosso momento, tocamos fora daqui, conhecemos pessoas no meio artístico em todo o Brasil, mas nunca estouramos. O importante é que nos preocupamos em fazer as coisas com seriedade. O que vale para nós são momentos como um show que fizemos há algumas semanas em Pato Branco. Havia um público de aproximadamente 1.500 pessoas, e destas umas 300 eram jovens entre 18 e 22 anos, cantando com a gente músicas que gravamos há 28 anos. Isso mostra que a nossa música ficou, explica Juk.
Calejado, o Blindagem segue ativo num cenário musical em que as bandas paranaenses continuam com dificuldades para conseguir destaque. Ivo aponta que o preconceito do próprio público curitibano prejudica os artistas locais.
Nós estamos tão próximos do eixo Rio-São Paulo, e você vê que de Porto Alegre e Brasília, que são mais distantes, saem tantas bandas que conseguem destaque nacional... Eu sempre digo que o Paraná e Curitiba, especialmente, são o último bairro de São Paulo. As pessoas daqui não acreditam nos artistas da terra. Show só vale alguma coisa se for de gente de fora, afirma o vocalista. O curitibano em si é muito crítico, tanto que qualquer produto cultural é primeiro lançado aqui para ver se vai dar certo. O curitibano, para aplaudir alguma coisa, é f*. Isso
é uma m* que acaba puxando os artistas para trás.


