22 milhões de páginas em Braille
A Fundação Dorina Nowil para Cegos possui uma das maiores imprensa Braille do mundo e é responsável por grande parte da produção nacional de livros didáticos, paradidáticos, acadêmicos, best-sellers e obras literárias em áudio e no sistema braille. Todo material, feito com recursos do Ministério da Educação e de parceiros, é distribuído gratuitamente para os 27 estados brasileiros e Distrito Federal. No ano passado, a Fundação produziu 22 milhões de páginas em braille e 160 mil livros falados.
A Fundação ainda faz, semanalmente, 3,4 mil exemplares em Braille da Revista Veja. "Outros 300 títulos em áudio serão doados ainda, neste ano, para a Biblioteca Pública do Paraná. Produzimos aquilo que o deficiente visual solicita, por e-mail, cartas ou telefone. É claro que não conseguimos atender todo mundo em pouco tempo. Pode demorar 20 dias ou um mês. No ano passado, 900 pedidos de cópias únicas, como provas, apostilas, material de pesquisa e livros específicos do ensino superior foram entregues", disse o presidente da Fundação, Alfredo Weiszflog.
"Cada caso é estudado e atendemos na medida do possível. Livros de Ciências, Biologia, Física e Geografia que trazem muitas imagens, fórmulas, mapas e desenhos mais complexos se tornam um desafio para nossa equipe. Colocamos profissionais especializados de edição para criar um material em Braille, às vezes, manual mesmo", conta ele. A Fundação Dorina Nowil publicou livros infantis coloridos, com letras ampliadas e escrita Braille que promovem a inclusão da criança cega: podem ser lidos por quem enxerga, pelo cego total e por quem tem visão subnormal.
Em Curitiba, a gráfica Braille da Associação dos Deficientes Visuais do Paraná (Adevipar), no bairro de Sítio Cercado, produziu quase 91 mil páginas, em 2007 - os números de 2008 ainda não foram fechados. Cerca de 80% da produção da gráfica é de material didático para as redes pública e privada. O restante corresponde a extratos bancários, contas de água e de luz - para quase 450 usuários no Estado -, cartões de visita, santinhos, etiquetas para acervo de museus - Museu de Arte Contemporânea e Alfredo Andersen.
A gráfica fez também as etiquetas em PVC para o Jardim das Sensações, no Jardim Botânico. Toda arrecadação é revertida em benefício da própria entidade, que mantém um Centro de Atendimento Especializados na área da Deficiência Visual. "Nos últimos dez anos, é perceptível a mudança de inclusão da pessoa cega, o acesso aos espaços públicos, à educação, à comunicação, ao convívio social, ao emprego. É uma conquista lenta, mas acontece", opina Jaime de Oliveira, 39, revisor de Braille da gráfica da Adevipar. (F.G.)





