Mesmo que Beto Richa ainda não se assuma candidato, de uma coisa todos seus prováveis adversários sabem: diante do cenário atual, não será fácil derrotá-lo. O tucano tem a seu favor altos índices de aprovação. A última pesquisa do Datafolha colocou o chefe do Executivo curitibano como o prefeito mais popular do Brasil, com índice de aprovação de 75 pontos e apenas 5% de reprovação. Levantamento recente da Paraná Pesquisas também mostra que 70,81% dos curitibanos entrevistados votariam no prefeito se as eleições fossem hoje.
''O Beto tem uma vantagem de largada grande'', afirma o cientista político Emerson Cervi, professor da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Para Cervi, a polarização entre Richa e Gleisi somente privilegiaria o primeiro, focando a disputa diretamente no primeiro turno. O cenário muda, diz acreditar o cientista, com a entrada em cena de Ratinho Júnior: ''Com ele, o pessoal do Beto já leva em consideração a existência de um segundo turno'', diz. Na avaliação de Cervi, para haver segundo turno em Curitiba, o terceiro colocado precisaria fazer pelo menos 10% dos votos.
O cientista político lembra do grande número de votos que Ratinho Júnior obteve em Curitiba nas duas eleições que disputou, para deputado estadual em 2002 e deputado federal em 2006: ''Mas nas eleições majoritárias as coisas mudam bastante. A lógica do eleitor é diferente'', afirma.
Para Cervi, Rubens Bueno já não tem mais o mesmo peso para tentar se consolidar como a ''terceira via'' da disputa: ''O discurso do 'voto limpo' não tem mais tanta força. De alguma forma, o Beto cobriu esses argumentos''.
O jornalista e colunista da FOLHA Luiz Geraldo Mazza confirma que, para Bueno se manter como candidato de importância considerável, precisa mudar seu posicionamento histórico. ''Se ele terminar as eleições atrás do reitor (Moreira, pré-candidato do PMDB), ele enterra sua carreira política''.
Para Mazza, é fundamental que partidos pequenos e médios como o PPS de Bueno e o PSC de Ratinho Júnior tenham candidato próprio para tentar construir uma bancada razoável de vereadores. O jornalista diz acreditar que as eleições para a prefeitura só vão para o segundo turno caso as candidaturas de Bueno e Júnior realmente se confirmem.
A situação de Gleisi, segundo Cervi, depende da ''federalização'' do debate. ''A Gleisi só aumenta suas chances de ir para o segundo turno se a eleição for federalizada'', diz. Nesse caso, a candidata do PT precisaria criar um forte vínculo com a imagem do presidente Lula.
Para Cervi, a situação é parecida com a de Moreira, que precisaria ''estadualizar'' a disputa e se colar na imagem do governador Requião. ''Ainda que se identificar com a imagem de Lula em Curitiba não seja grande coisa, as avaliações do governo estadual não são tão boas, mas as do governo federal sim''. Mazza também diz acreditar que se a ''tropa de choque'' de Requião entrar em campo, a candidatura de Moreira pode se consolidar. (R.S.)
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