1948. Falta água em Londrina
O servidor municipal aposentado Noé da Silva, que chefiou a Divisão de Parques e Jardins da prefeitura de Londrina por décadas, conta que uma das principais mudanças ambientais da região após a derrubada da mata foi o aumento da temperatura.
"Eu morava em Sertanópolis quando era criança e vi muita derrubada da mata. A primeira coisa que você percebia era a mudança na temperatura. A área começava a ficar mais quente", lembra Noé. "Também reduziu muito a umidade do ar. Hoje, as chuvas são mais esparsas, dá uma pancada aqui, outra ali, mas não tem mais aquela quantidade de água que tinha antigamente."
Do ponto de vista geológico, a retirada da mata também gerou o rebaixamento dos lençóis freáticos. Antes protegidos pela sombra das florestas, estes reservatórios subterrâneos deslocaram-se para profundidades maiores para `fugir´ do calor.
Como consequência destas mudanças, um dos primeiros desastres ambientais de Londrina ocorreu em 1948. Segundo o jornalista Widson Schwartz, o evento foi descrito por Reinhard Maack, um destacado geógrafo que vagou por estas terras naquela época e autor da obra "Geografia Física do Paraná".
"Foi um evento terrível. Faltava água. Foi a derrubada da mata que fez aquilo. As fontes não davam mais água suficiente. O povo se revoltou, pichava `queremos água´".
Para solucionar o problema, a Companhia de Terras Norte do Paraná trouxe a Londrina uma equipe de geólogos que sugeriu a perfuração de novos poços. Foram feitos seis pontos de captação para normalizar o abastecimento. Em Maringá, que naquele tempo estava dando os primeiros passos da urbanização, também houve escassez de água no início dos anos de 1950.
Segundo estimativa de Reinhard Maack, na década de 1940 o aumento populacional foi de 26% no Norte do Paraná, mas o desmatamento ultrapassou 40% das áreas nativas.





