Munido de giz, agulha, fita métrica e ouriço (pedaço de espuma usada para espetar as agulhas), Zeferino Pereira, 74 anos, mede os ombros, braços, colarinho e pernas para fazer um terno. Com cinco anos de idade ele já costurava. Aos 15 possuía a técnica de cortar os tecidos. Durante toda a carreira já atendeu importantes empresários, senadores, governadores, vereadores e prefeitos.
Se quer mais longo, justo ou tradicional, Pereira dá um jeito. Com a saúde em perfeito estado, se abaixa e levanta para medir a roupa com o vigor de um adolescente. Mas o serviço diminuiu. "Antes todo mundo tinha um terno. Hoje não é bem assim". Ele trabalha na Jockey a Rigor, alfaiataria mais antiga de Curitiba.
A loja abriu em 1925. Após 14 anos de existência, Arlindo Alberto Biesemeyer e Maurício Cristofani tornaram-se os donos do negócio. Em 1948
Biesemeyer comprou a parte do sócio e passou a administrar o estabelecimento. Na época a Jockey a Rigor funcionava na Dr. Muricy. Anos depois abriu filiais na Travessa Jesuíno Marcondes e também na Avenida Marechal Deodoro. Hoje existem lojas na Rua XV de Novembro e na Praça da Espanha.
Roberto Biesemeyer, filho de Arlindo, é o atual responsável pela loja. Os pedidos de ternos, que chegavam ao número de 400 por mês, hoje não passam de 100. Para suprir a baixa no movimento o empresário resolveu também oferecer o serviço de locação de trajes masculinos adulto e infantil. Hoje, esse ramo representa a maior parte do movimento. Tem cliente que aluga o traje para ir em casamento, formatura ou evento social. Mas também há os que solicitam a roupa para ir em uma entrevista de emprego ou até para tirar fotografia para algum documento.
A alfaiataria acabou ficando como um serviço secundário. São aproximadamente 150 alfaiates em Curitiba, 10% do que todo o Paraná possui. Alguns ainda se interessam em aprender e até aparecem na Jockey a Rigor para solicitar aulas. Mas por falta de tempo e espaço o pedido acaba sendo negado. "Na década de 70, quando começou a construção de grandes edifícios na cidade, diversos profissionais que trabalhavam em alfaiatarias resolveram trabalhar como porteiros. Assim poderiam garantir um salário fixo. No antigo serviço eles ganhavam por peça produzida. Isso fez cair o número de alfaiates na cidade", explica Biesemeyer. (D.C.)

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