15 minutos para 2009
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terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Omar Godoy 
Jogador de bocha há apenas quatro anos, Eliseu Santos, 31, foi uma das surpresas das Paraolimpíadas de Pequim. Voltou para casa, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), com duas medalhas da categoria BC4 (para portadores de distrofia muscular) na bagagem: bronze na competição individual e ouro em dupla. Feitos que o credenciam para disputar a Copa América de 2009, no Canadá, ainda sem datas confirmadas. Enquanto o calendário oficial não é divulgado, Eliseu treina e ajuda os paratletas mais novos. "No ano que vem, quero passar toda a minha experiência para os colegas de equipe", diz.
Após quatro anos viajando pelo Brasil, o ciclista performático José Leopoldo de Oliveira, o Jacaré, 47, voltou a animar as ruas de Curitiba. Sempre a bordo de sua bicicleta construída com 120 quilos de garrafas PET, ele agora exibe um sistema de som ainda mais poderoso. Tudo para chamar a atenção de quem passa para as lojas, circos e parques de diversões anunciados em alto volume. Mas o que o artista quer mesmo é divulgar Curitiba mundo afora, caso a cidade seja escolhida como uma das sedes da Copa do Mundo de 2014. "Se alguém me patrocinar, vou viajar por aí mostrando que a alegria também é uma das características do curitibano", promete. Jacaré dá ainda seu palpite sobre o impacto da crise financeira internacional no país. "Não vai ter crise no Brasil, não. Isso é conversa de empresário que está louco para demitir os funcionários."
Como prometido, Rodolpho Ramina, 53, vai lançar em 2009 o primeiro empreendimento ecologicamente correto de sua empresa, a U&A (Úlcera e Azia) Engenharia e Planejamento. Ou quase isso. Afinal, é dele a teoria de que "casa ecológica é buraco de tatu, pois toda casa causa algum impacto". Seja como for, começa em janeiro a construção de um centro comercial, em Campo Largo, com aquecimento solar, pilares de eucalipto, estrutura reciclável, etc. Engenheiro civil e economista, Ramina prevê que o mundo "vai cair na real" diante da atual crise. "Vamos viver um período de sobriedade, assumindo posições mais realistas. Isso vai ser bom a longo prazo". Ramina também acredita que o termo "sustentabilidade" vai sair de moda. Para ele, trata-se de um critério abstrato, que faz cada vez menos sentido. "Ninguém sabe definir direito o que é sustentável, e são poucos os exemplos concretos. A gente agora vai querer coisas mais factuais, menos teóricas", sentencia.
"Não posso me queixar de 2008. Foi um ano muito produtivo", afirma o taxista Rodrigo Brustolin, 29, conhecido pelos "agrados" que oferece a seus passageiros. Para o ano que vem, ele promete reforçar seu arsenal (que já inclui revistas, jornais, shows em DVD e toda a sorte de guloseimas) com água e outras bebidas, geladas no frigobar que será instalado no carro. "Minha meta é inovar cada vez mais", anuncia.
Revelação da música eletrônica de Curitiba, Jô Mistinguett, 24, também se destacou por seu lado desbravador. Sem disco lançado, apenas algumas músicas disponíveis na internet, ela iniciou uma série de contatos internacionais tendo em vista uma possível excursão pela Europa. Saiu daqui, em outubro, com nove datas agendadas em Portugual e na França. "Não espero muito de 2009. Deixo as coisas fluirem naturalmente", afirma. Os planos existem, claro: lançar material inédito, retomar a faculdade de Design e fazer um novo curso de produção musical em São Paulo.
Em 2009, o músico Vadeco, 29, assumiu seu lado empreendedor e fundou o o espaço Astrolábio, centro de criação, produção e formação musical. "Esse primeiro ano foi bom para caramba! Entre erros e acertos, vamos usar o que aprendemos para ampliar o projeto", conta. Logo no dia 17 de janeiro, inicia a primeira edição do Festival de Música Étnica e Contemporânea de Curitiba. O músico também está envolvido em três projetos para o cinema.
Miro Penna, 40, o Renato Russo de Pinhais, pode se aposentar como cover em 2009. "Esse, provavelmente, será o último ano da Legião Urbana Cover Curitiba." Ele até retomou a profissão de operador de máquinas, deixada de lado quando a banda viu sua agenda de shows explodir no Paraná e Santa Catarina. Mas a mudança será em nome de um projeto maior. "Vamos tocar nossas próprias músicas em 2010."
2008 também foi um ano produtivo para o padre Joachim Andrade, 45. Além de lançar seu primeiro livro, sobre a dança clássica indiana, da qual é um dos principais divulgadores no Brasil, ele rodou boa parte do País dançando temas bíblicos e hindus. Seu desejo, em 2009, é que os brasileiros aceitem e respaldem ainda mais essa mistura de religião e arte. E não apenas os católicos. "Gostaria de atingir os corações de pessoas de todas as religiões", afirma. Radicado no Brasil desde 1995, o sacerdote é natural de uma região da Índia colonizada por portugueses. Diante do clima de incerteza que ronda o cenário internacional, ele se mostra preocupado com os rumos da economia e a tensão política entre seu país de origem e o Paquistão. "Espero que a vivência dessas situações leve as pessoas a criar a paz", diz.
Quem também começa 2009 a todo vapor são as gêmeas Clarissa e Letícia Rodante, 31. Donas e designers de uma grife de biquínis, a Rodando a Baiana, elas estão exatamente em seu momento de pico anual. "Estamos trabalhando sem parar, vendendo as peças da coleção 2008 até o Carnaval", conta Clarissa. O site que a dupla planejava lançar ainda neste ano está engavetado. "Descobrimos que ainda não precisamos dele. Nosso forte é o boca a boca e a divulgação pelo Orkut e fotolog", diz. Quando o verão terminar, as duas voltam aos desenhos, dessa vez para preparar duas coleções - uma delas para ganhar as ruas já em março. "Com esse calor que faz o ano inteiro, não existe mais inverno", justifica Clarissa, que ainda pretende desenvolver uma série para mulheres acima dos 40 anos.
A atriz e cantora Michelle Pucci, 30, já tem a agenda definida para o ano que vem. Vai se dedicar a três novas peças da companhia teatral Vigor Mortis, duas delas com temporadas previstas no Rio de Janeiro. Apesar dos compromissos nos palcos, ela promete dar prosseguimento à carreira musical, um tanto emperrada por conta da não-aprovação, via Lei de Incentivo, do projeto de seu álbum de estréia. Enquanto o CD não vem, Michelle aposta na internet. "Vou lançar um site com vários clipes e músicas. Assim compenso minha ausência física, já que estarei mais envolvida com o trabalho de atriz", explica. Antenada com o contexto internacional, a artista acredita que a crise econômica pode ser o começo de um processo de mudança. "Antes os economistas estavam pessimistas, agora estão desanimados. Isso é um bom sinal", diz Michelle para quem a eleição de Barack Obama, nos EUA, foi "maravilhosa". No mais, ela fala em "aperfeiçoamento pessoal". "Quero, pelo menos, dar mais atenção às pessoas que eu encontrar em 2009. A gente fica tão absorvido em nosso mundinho e esquece de cultivar as amizades."


