Foi-se o tempo em que Curitiba era passagem obrigatória de qualquer turnê musical - pequena ou grande, nacional ou internacional. O assunto rende, e as mesas de bar estão cheias de gente tentando explicar porque essa vocação se perdeu. Entre tantas teorias, há quem diga que a cidade está carente de uma peça-chave da engrenagem cultural: o produtor.
Produzir é colocar a mão na massa, fazer o trabalho pesado. Tirar um evento do nada, na base da agilidade e da negociação. Nesse sentido, o nome de Andy Andrade, 26, vem despontando como uma das poucas novidades do cenário.
De 2008 para cá, Andy ajudou a trazer shows de Jon Spencer, Cérebro Eletrônico, Wax Poetic, Otto, Mallu Magalhães e Guizado, entre outros. Antes, comandou por quatro anos a festa La Rock, que marcou época no mundinho alternativo. Mundinho, aliás, que ela acredita ser maior do que parece. "Tem muita gente casada, cuidando da vida, que poderia sair mais se não estivesse cansada do tumulto dos bares", diz.
De olho nesse público, a empreendedora investe em produções mais caprichadas, que tragam o mínimo de conforto para quem já desistiu dos porões enfumaçados. Ainda assim, surpreende-se com a falta de interesse generalizado. "O show do Jon Spencer, que a gente esperava levar 500 pessoas, só teve 300 pagantes", lamenta.
Não que isso seja motivo de revolta. "Tranquila" é um dos adjetivos que os amigos costumam usar para defini-la (os outros são "política" e "agilizada"). Andy, no entanto, confessa ser hiperativa e um tanto ansiosa. Mas nunca desconta nas pessoas. "Só na comida", brinca.
Agora mesmo ela está preocupada. "A gente fechou um show do (cantor gaúcho) Júpiter Maçã para o dia 29 e ainda nem começou a divulgação", revela. Por "a gente", leia-se a equipe da produtora I_Cwb, formada ainda pelo músico André Sakr e o jornalista Guga Azevedo.
Depois de trazer o supracitado americano Jon Spencer, o trio se prepara para organizar, no segundo semestre, um show do grupo multiétnico nova-iorquino Gogol Bordello. "Será a nossa maior produção", anima-se Andy, que também trabalha com moda e agencia as bandas Sabonetes e ruído/mm.
Toda essa disposição chamou a atenção dos professores da faculdade de Publicidade, que a incentivaram a se especializar na área de atendimento. Ou seja, a linha de frente (ou de fogo) de uma agência. E a estudante que até então se achava tímida virou a produtora "agilizada e política". Vai ver a timidez se converteu na serenidade com que ela se sociabiliza...
Sobre a especulação do início desta conversa, Andy concorda em gênero, número e grau - faltam mesmo novos produtores da cidade. Mas, para quem pensa em se habilitar, ela avisa: "Tem que saber falar, negociar. Sentir o comportamento da outra pessoa e se adaptar, ter jogo de cintura".
No mais, produzir é estar atento aos detalhes. "Por isso a mulher se dá tão bem nesse meio. Os homens não são tão detalhistas quanto a gente", conclui.

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