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quinta-feira, 14 de maio de 2009
Omar Godoy<br> Equipe da Folha 
"Levei quase 40 anos para aprender que a pessoa deve ser quem ela é", revela Rogério Cordoni, sem medo do clichê. Mas, como alguém já disse, os clichês funcionam porque são verdadeiros. E Rogério sabe muito bem do que está falando.
Figura carimbada (e tarimbada) do cenário cultural, ele batalhou em diversas frentes antes desse encontro com si mesmo. Fez sua primeira audição de piano aos 5 anos. Tocou em trocentas bandas, alternativas e comerciais. Gravou jingles. Foi cover do Elvis em eventos corporativos. Formou-se em Odontologia para não depender só da música para sobreviver.
Hoje, aos 41, conta que juntou e misturou toda essa bagagem no Show do Rei. Um espetáculo, segundo ele, popular, para fazer o público rir e cantar junto. "Minhas melhores apresentações foram gratuitas, em parques", diz o Elvis do Água Verde, que também canta Beatles, Rolling Stones e canções próprias, além de fazer brincadeiras com a platéia.
De quebra, Rogério acompanha o humorista Diogo Portugal e apresenta um programa para universitários na TV Transamérica, transmitida em UHF. Sem contar a estréia como ator em Música e Violência, novo filme do diretor Willy Schumann, ainda em produção.
Tudo isso em paralelo à Odontologia. Especialista em Próteses, fez mestrado na área e hoje se reveza entre o atendimento clínico e o trabalho como professor. "É a minha contribuição para a população. Porque o artista muitas vezes vive alienado, num mundo de sonhos", afirma.
Foi nesse mundo de sonhos, aliás, que o músico-dentista passou boa parte de sua trajetória. Baterista de inúmeros grupos marcantes dos anos 80 e 90, Rogério acredita que quase "chegou lá" com dois deles: o experimental Tessália e o pop Dr. Smith. São histórias de idas e vindas, contatos com empresários, conflitos internos - e muito aprendizado.
Ainda assim, ele admite que sente falta de um reconhecimento maior. Inclusive fora da cidade. Para o artista, Curitiba deixou de ser provinciana, mas a produção local ainda não consegue dialogar com o país. "O Brasil, em geral, é meio errado. Já Curitiba é toda certinha, tem aquela imagem de lugar organizado, quase utópico. Isso acaba influenciando na arte", reflete.
Seja como for, Rogério quer transcender ao temperamento contido do curitibano e se consolidar como showman. E se não der certo, a culpa é dele mesmo. "Com o surgimento do YouTube, do MySpace, o artista ganhou mais autonomia. O que ele conquistar a partir de agora é por mérito próprio e disciplina, e não pelo trabalho de um empresário. Essa história de artista injustiçado não vai mais existir", conclui.
Para ver e ouvir o "Rei" em ação, acesse www.showdorei.com.br.


