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quinta-feira, 07 de maio de 2009
Omar Godoy<br> Equipe da Folha 
Josiane Orvatich, 33, topa a brincadeira e aponta os três filmes que definem sua personalidade. "Persona (Ingmar Bergman), Almas Gêmeas (Peter Jackson) e Gêmeos - Mórbida Semelhança (David Cronenberg)", diz, sem parar para pensar.
Não é preciso manjar de cinema, nem de psicologia, para entender que se trata de alguém fascinado por personalidades fragmentadas. "É isso mesmo. Me interesso por contradições, divisões, separações", admite Josiane, conhecida por sua militância (no melhor sentido do termo) no meio audiovisual
de Curitiba.
De um ano para cá, ela ganhou maior visibilidade fora da cidade por conta da revista de cinema Juliette, da qual é criadora e editora. Mas sua atuação no circuito vem de longe. Há pelo menos uma década, a maringaense acompanha de perto a realização de alguns dos curtas-metragens mais comentados da produção local. De Aldeia a Paisagem de Meninos, de Bento Cego a Polaco da Nhanha.
Foi assistente de direção de quase todos esses títulos. Também assinou a produção executiva do longa Sal da Terra, pilotado por seu ex-marido, Elói Pires Ferreira. Antes de conhecê-lo, no entanto, Josiane esteve envolvida com teatro. Chegou a estudar Artes Cênicas e atuou em algumas peças, até se debandar para o lado das câmeras - e da filosofia.
"Sempre fui muito estudiosa, CDF. E o curso de teatro não oferecia a base que eu queria", explica a "pequena historiadora da filosofia", como ela se define. Hoje, Josiane ainda leciona a disciplina aqui e ali, enquanto se dedica para valer a iniciativas que promovem a reflexão sobre as imagens em movimento. "Com a Juliette, acho que finalmente consegui conciliar cinema e filosofia. Porque os textos têm precisão, seriedade", avalia.
Além da publicação, Josiane toca a Casa Aberta de Cinema, um novo espaço para debates, encontros e cursos. Detalhe: a "casa" é um apartamento de sala ampla no Centro Cívico, onde ela mora com o companheiro
e sócio Murilo.
A ideia surgiu a partir de outro projeto, o cineclube Dínamo, que também funcionava no local e serviu como ponto de encontro de jovens realizadores. Uma geração, segundo ela, menos política e mais artística do que a anterior.
Aliás, há quem diga que a agitadora "mudou de lado" ao se aproximar dos emergentes do cinema curitibano. Josiane, no entanto, parece buscar o melhor de ambos os grupos. "Acho que falta diálogo entre as duas gerações", lamenta.
Quase no fim da entrevista, ela lembra de seu diretor preferido. "Os filmes do Clint Eastwood, sim, me definem", garante, antes tarde do que nunca. Ou seja: estamos diante de alguém rigoroso, perfeccionista e com um senso de justiça todo próprio. Quem segura uma figura dessas?


