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quinta-feira, 30 de abril de 2009
Omar Godoy<br>Equipe da Folha 
Nas últimas semanas, Lorenza Pozza emplacou em todos os cadernos culturais da província. A ex-cantora mirim, agora com 19 anos, fez um grande show no Teatro Londrina, onde gravou o primeiro CD e DVD de sua fase ''adulta''. Uma superprodução para os padrões locais, com direito a uma banda de apoio completa e convidados especiais.
Lorenza está em plena transição. Quer deixar de lado o estigma de menina-prodígio para engrenar como artista profissional. Para isso, apoia-se num repertório que foge das obviedades do pop adolescente.
Na apresentação do dia 16 de abril, cantou músicas de compositores como Leoni, Fernanda Mello (autora de vários hits do Jota Quest) e Rodrigo Lemos, do grupo curitibano Poléxia. ''É uma banda que os jornalistas daqui gostam muito. Talvez por isso tenha surgido essa curiosidade sobre o meu show'', admite a cantora. Mas, afinal, quem é essa garota?
Criada entre Tijucas do Sul e São José dos Pinhais, onde mora até hoje com os pais, Lorenza sempre esteve envolvida com música. Todos os tios da família paterna tocam piano, e aos 4 anos ela já aprendia noções do instrumento. Aos 6, participou do primeiro festival, incentivada pela irmã mais velha. ''Cantei uma música do Leandro e Leonardo'', lembra, meio envergonhada.
Em casa, o pai (médico) e a mãe (engenheira) ouviam Elis Regina, Guilherme Arantes, Roupa Nova. Enquanto isso, a pequenina atacava de Eliana e Sandy. As aulas de canto começaram nessa época, com um professor que produziu seu primeiro CD-demo. O material foi enviado para todos os programas de tevê estrelados por crianças, até que o global Gente Inocente a chamou para um concurso.
Lorenza perdeu na final, mas foi contratada para integrar o elenco fixo da atração. Durante dois anos, viajava a cada 15 dias para o Rio de Janeiro, onde gravava números musicais e esquetes bem-humorados. Quando o programa acabou, o sentimento não foi de tristeza. ''Fiquei aliviada, na verdade. Porque eu era só uma criança, e estava deixando de aproveitar muita coisa'', lembra.
Na sequência, veio um período de três meses em São Paulo, no SBT, atuando na obscura novela Jamais te Esquecerei. Ali, Lorenza descobriu que ser atriz não era mesmo o seu caminho. ''Não gostei da experiência, era difícil ser natural diante das câmeras. E também não fui muito bem, senão teria continuado'', reconhece.
Aos 13, passou a trabalhar com um produtor, digamos, pouco confiável. Dessa época, ficaram alguns traumas. Escalada para cantar em lugares inadequados para sua idade, como comícios e faculdades, Lorenza muitas vezes foi vaiada. Por conta disso, acredita que ainda hoje se preocupa demais com a reação do público.
Já ligada a outro produtor, Felipe Simas, a cantora experimentou de tudo um pouco. Foi cover da Avril Lavigne, montou um projeto de música eletrônica e chegou a integrar uma banda de rock. Hoje, divide-se entre a nova fase da carreira e a faculdade de Relações Públicas, da qual ela confessa não gostar muito. Sempre sob a batuta de Simas, seu empresário e namorado (além de acompanhante nesta entrevista).
Os dois se envolveram quando ela tinha 16 anos e ele, 30. ''Começamos bem antes da Mallu Magalhães e do Marcelo Camelo'', brinca, referindo-se ao casal de músicos que causou uma certa polêmica quando se assumiu publicamente, no ano passado.
Tantas experiências em tão pouco tempo fizeram Lorenza ter certeza do que não quer para si. Falta agora descobrir o que realmente deseja. ''Eu me cobro muito, às vezes desnecessariamente. Mas sinto que ainda não consegui um retorno, um reconhecimento'', desabafa.
Para Lorenza, este é um momento de amadurecimento, principalmente no nível pessoal. Por isso, a jovem cantora pretende passar uma temporada fora do Brasil a partir do ano que vem, para estudar música e ''se encontrar''. Ela mal sabe que tem todo o tempo do mundo.


