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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Omar Godoy<br> Equipe da Folha 
"Sempre me senti meio exótica nos lugares em que eu chegava", confessa a fotógrafa Nicole Lima, 30 anos. Ela se refere às várias mudanças de cidade que teve de fazer desde pequena, quando trocou Telêmaco Borba (PR) por Lages (SC).
Nicole ainda passou por Florianópolis e Amherst (no estado americano de Massachusetts) antes de aportar em Curitiba, em 1997. Aqui, formou-se em Arquitetura e Urbanismo e se especializou em Design de Interiores. Chegou a trabalhar nas duas áreas, e também como professora de inglês, mas logo percebeu que precisava buscar outros caminhos.
Queria mexer com arte e acabou encontrando um meio dividido entre o engajamento e o comercialismo. "Sabe aquele mito romântico, de que o seu amor está em algum lugar do planeta e, algum dia, você vai topar com ele numa esquina? Era assim que eu me sentia com relação à minha vocação", compara.
Em paralelo, Nicole sempre teve um interesse por fotografia. Aos 7 anos, herdou do avô uma câmera e não desgrudou mais dela. Aprendeu as técnicas básicas na escola, nos EUA. Já em Curitiba, fez todos os tipos de curso que se possa imaginar.
Um deles, de Fotografia Autoral, foi decisivo para a guinada que ela daria na própria trajetória. "Encontrei um jeito novo de me expressar. A partir dali, decidi que aquilo deixaria de ser um hobby para se tornar a minha vida", conta, sempre como se estivesse declamando algum texto.
Iniciou-se então um processo de descobertas pessoais, que passou pelo fim de um casamento e culminou na abertura de seu espaço para cursos, palestras e workshops. Mais do que isso. Para ela, o Paralelo - Centro de Artes Visuais é um ambiente de discussão permanente sobre a imagem, seja qual for o suporte (cinema, desenho, foto, etc.).
Segundo Nicole, os alunos do Paralelo são, basicamente, curiosos e iniciantes. Gente que não busca uma formação profissional, e sim algum tipo de satisfação. "Essas pessoas não estão plenamente realizadas com seus empregos rentáveis. Um dia elas perceberam que fazem muito pelos outros, mas pouco para si mesmas", diz.
A fotógrafa, no entanto, revela que gostaria de ser menos inquieta. Para, talvez, ter o estilo de vida "pragmático" de seu pai, com horários definidos, férias e objetivos bem traçados. "Mas eu simplesmente não consigo", admite.
Como isso não aconteceu, Nicole segue trabalhando em seu misto de escola e quartel-general. Ali, ela agiliza, além dos cursos, serviços avulsos de fotografia e webdesign, além de um boletim digital enviado regularmente para seus contatos.
De quebra, prepara o projeto Cem Importâncias, uma tentativa de mensurar "coisas inquantificáveis", como medos e dúvidas. As fotos, produzidas com recursos de uma bolsa oferecida pela Fundação Cultural do município, devem entrar em exposição em março de 2010.
E a sensação de se sentir exótica, permanece depois de tanto tempo em Curitiba? "Já fiz as pazes com isso. Todo mundo se sente um pouco exótico de alguma forma. Estou começando a achar que essa ideia de zona de conforto não existe", reflete.
Para saber mais sobre o Paralelo, acesse www.paralelocentro.com.br.


