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quinta-feira, 04 de dezembro de 2008
Omar Godoy<br>Equipe da Folha 
Entre a novidade e a tradição, o curitibano normalmente opta pela segunda. Se o assunto é música, então, nem sem fala. Artista bom é artista consagrado, estabelecido. Não à toa, 99% dos grandes shows que aportam por aqui são de dinossauros do rock ou da MPB.
O gosto pelo contemporâneo fica restrito ao underground, e olha lá. Mesmo nos porões, ainda impera a idéia de que "naquele tempo era melhor". Aliás, quando os anos 80 vão finalmente acabar?
Nadando contra a corrente, o estudante Denis Pedroso, 27 anos, escolheu um recorte ousado para suas atividades como DJ, blogueiro e produtor de eventos. Desde que surgiu no cenário alternativo, em 2005, ele se concentra apenas em sons recém-lançados. E não é que tem dado certo?
Sua festa mensal, In New Music We Trust, costuma atrair cerca de 400 pessoas ao bar James. Um microfenômeno de público e longevidade. "A noite é feita de ciclos, e às vezes entra numa curva descendente. Muitas festas começaram e acabaram nesses três anos", diz.
Nascido e criado em São José dos Pinhais, Denis conta que passou cerca de oito anos mergulhado no ambiente acadêmico. Estudou Design e Filosofia antes de ingressar em Letras, seu curso atual. No fim de 2004, porém, uma viagem de carro para o Peru lhe rendeu um daqueles insights que todo mundo deveria ter pelo menos uma vez na vida.
A trilha sonora foi um CD, gravado por seu colega de jornada, só com bandas novíssimas na época, como Franz Ferdinand, Bravery e Killers. Empolgado com o frescor do que ouvia, voltou decidido a explorar aquele universo.
Criou um blog (innewmusicwetrust.com.br) e uma movimentada comunidade no Orkut. Também começou a distribuir CDs para os DJs da cidade, que o incentivaram a investir nas próprias discotecagens. Daí para a promoção de eventos, foi um pulo. "Eu, que vivia trancado no quarto, nunca me imaginei distribuindo panfletos de festa por aí", admite o estudante convertido em empreendedor da noite.
Avesso a generalizações, Denis prefere definir a produção dos anos 2000 a partir de sua forma de circulação. "É um período em que a música transita facilmente, graças à internet. Você pode acompanhar os artistas desde a origem, sem interferências externas".
Difícil é dar conta de tanta informação. "Não dá tempo de conhecer tudo. Tem novidade todo dia", arremata.


