Guerreiras Mágicas de Rayearth. Este é o nome do desenho animado (ou melhor, anime) que despertou em Mylle Silva a paixão pela cultura pop japonesa. Ela tinha 10 anos quando se encantou pela história e mergulhou nesse universo fantasioso e carregado de simbologia.
Doze anos depois, Mylle, hoje com 22, é uma das principais agitadoras culturais do "Japão Jovem" em Curitiba. Organiza um encontro semestral (o Anime XD), mantém o site Tadaima! (expressão equivalente ao nosso "cheguei!") e turbina a divulgação de eventos do gênero. De quebra, fatura uma graninha com os bottons que ela mesma produz e vende durante os Mini Matsuris - pequenos festivais promovidos mensalmente na cidade.
Sem uma gota sequer de sangue nipônico, Mylle sabe mais do assunto do que muitos descendentes de japoneses. De tanto pedir apoio e informações ao consulado daquele país, acabou sendo convidada a passar sete dias do outro lado do mundo, como participante de um programa do Ministério das Relações Exteriores. Na Terra do Sol Nascente, emocionou-se na cidade de Hiroshima e controlou os impulsos consumistas em Akihabara, bairro de Tóquio que é a meca dos fãs de mangás, animes e afins.
Formada em Jornalismo, ela concluiu o curso com uma monografia sobre a penetração da cultura pop japonesa em Curitiba. "Isso foi em 2007. Mas, um ano depois, já está tudo completamente diferente. A coisa cresceu muito", diz, sobre os eventos da "tribo". O motivo, claro, é o centenário da imigração japonesa no Brasil, cuja divulgação intensa fez aumentar o interesse por tudo o que é nipônico.
Esse crescimento, no entanto, traz algumas conseqüências negativas. Mylle conta que os Mini Matsuris têm atraído jovens mais interessados na festa do que na cultura propriamente dita. O resultado é a ocorrência de brigas e bebedeiras nos arredores da Praça do Japão, onde os encontros são realizados. "Estamos tentando conscientizar o pessoal sobre isso. Também precisamos de mais policiamento no local", alerta.
Aluna do quarto semestre de Japonês do Celin (o Centro de Línguas e Interculturalidade da Universidade Federal do Paraná - UFPR), ela planeja ingressar na graduação que a instituição vai abrir em 2009. E, como se não bastasse, sua aproximação com a cultura ainda inclui um namoro sério com um rapaz descendente de japoneses. "É uma imersão total", diverte-se.
Tadaima! - www.tadaimacuritiba.com.br

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