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quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Omar Godoy<br>Equipe da Folha 
Nem o melhor cenógrafo do mundo conseguiria reproduzir o local de trabalho do mecânico Dayson Bilhan, 24 anos. A oficina de sua família, à beira da BR 116, é o resultado de anos de óleo, graxa e suor. Um ambiente no mínimo opressivo para quem está acostumado a pegar leve na vida.
Dayson, no entanto, não corresponde ao estereótipo. Formado em Artes Visuais, ele desenvolve uma atividade paralela como artista plástico. Acaba de abrir sua primeira exposição, em um restaurante no Batel, e já negocia a venda de quadros. ''Considero a pintura meu segundo trabalho, e não um hobby'', afirma o rapaz, influenciado por nomes como Manet, Renoir e Pollock.
Filho de um mecânico, Dayson conta que monta e desmonta coisas desde pequeno. Aos 15 anos, ingressou, como menor aprendiz, em uma multinacional de produtos automotivos. Ficou por lá até o pai propor que ele e o irmão também trabalhassem na oficina de caminhões. Nesse meio tempo, iniciou a faculdade de Matemática. ''Mas logo vi que aquela não era a minha praia'', conta.
Interessado por animação digital, entrou num curso de Artes com ênfase nas técnicas em 3D. Para sua surpresa, acabou se encantando pela pintura. ''Nunca havia pintado nada antes de entrar na faculdade. Acabei gostando mais das tintas do que do computador'', diz.
Ciente de que uma carreira artística não se constrói da noite para o dia - e sem disposição para virar professor -, Dayson resolveu se firmar como mecânico. E, ao contrário do que possa parecer, não suja as mãos de graxa apenas para ganhar dinheiro. ''Se o cara não gostar disso, não consegue ficar'', garante. O lado bom dessa dualidade, ele explica, é criar sem a ânsia de ter seu talento reconhecido.
Questionado se uma atividade influencia a outra de alguma maneira, Dayson não tem dúvidas. ''Só se for inconscientemente, porque uma coisa não tem nada a ver com a outra''. Seja como for, há pelo menos algo em comum: sua roupa está sempre manchada - de graxa ou de tinta.


