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segunda-feira, 06 de outubro de 2008
Omar Godoy<BR>Equipe da Folha 
Vira e mexe surge um "nome da vez" na cena cultural de Curitiba. Alguém que acumula trabalhos, conecta áreas diferentes e estabelece parcerias interessantes. A atriz e cantora Michelle Pucci, 30 anos, encaixa-se perfeitamente nesse perfil, apesar de não achar que este seja "o seu momento", como se diz por aí.
Modéstia à parte, o fato é que Michelle participou de alguns dos projetos locais mais comentados dos últimos anos. Esteve em montagens como Besame Mucho, Trecentina, Psicose 4h48, Entre Quatro Paredes e Hitchcock Blonde (esta última pela companhia Vigor Mortis, da qual faz parte atualmente). Também cantou com os grupos Nega Fulô e Caixa Prego, além de apresentar o show-solo Respiro em vários espaços da cidade. De quebra, faz locuções, vídeos institucionais e comerciais de tevê.
"Cada vez mais, deixo de ver a música e o teatro como coisas separadas", afirma Michelle, que estreou nos palcos em meados dos anos 90, como vocalista da banda de rock Prankish. Essa versatilidade, no entanto, vai além dos holofotes. "Já fui telefonista, recepcionista, assistente de cabeleireira e até professora primária", revela.
O último emprego convencional, ela conta, foi como monitora de uma galeria de arte paulista, durante uma temporada de aulas com a atriz e professora Juliana Galdino. "Adoro estudar, pesquisar. Só não sou muito acadêmica", admite a artista, ex-aluna dos cursos de Pedagogia e Jornalismo (nenhum deles concluído).
E por falar em São Paulo, Michelle comenta o recente "êxodo" de atores curitibanos para outros mercados. "Atuar em um grande centro é um passo à frente na carreira, como alcançar um alto cargo numa empresa. Mas não trabalho para isso", garante. Aliás, ela é da turma que não reclama da vida cultural curitibana. Ao contrário.
"Temos tudo aqui e não reconhecemos isso. Quem diz que não acontece nada em Curitiba sequer vem ao MON", afirma (a entrevista aconteceu no Museu Oscar Niemeyer). "Os artistas deveriam se misturar mais. Gente do teatro frequentar exposições, artistas plásticos participarem de eventos de literatura, etc.", acrescenta.
Enquanto ensaia duas peças com a Vigor Mortis, Michelle aguarda a aprovação, via Lei de Incentivo, do projeto de seu primeiro CD. Um sonho que vem da infância, quando fuçava os discos do pai e se apresentava no colégio de freiras em que estudava. "Na sexta série, cantei o hino nacional à capela, igual a Fafá de Belém. Sempre fui muita exibida", confessa.


