Foi-se o tempo em que nerd era sinônimo de alguém deslocado socialmente - para não dizer coisa pior. Na era da internet e da economia da informação, a tribo ganhou as ruas e o meio corporativo. "Nos dias de hoje, qualquer pessoa precisa de um nerd por perto para realizar as coisas. Seja por seu conhecimento em tecnologia ou por suas referências culturais", afirma o químico Gustavo Frensch, de 22 anos.
Frensch e um grupo de amigos estão por trás do Nerd Curitibano (www.nerdcuritibano.wordpress), blog que desde julho tenta conectar a turma por estas bandas. Mas não se trata apenas de mais um espaço para comentar quadrinhos, filmes, animações e séries de tevê cultuadas por fãs obcecados. Com espírito empreendedor, o time tem um verdadeiro "plano de dominação".
De acordo com o psicólogo Pablo de Assis, 26, a proposta é fazer do blog - que em breve vai virar site - uma plataforma para a produção de eventos. O primeiro passo já foi dado: todo o trabalho de divulgação da JediCon PR 2008 (convenção de Star Wars que acontece no próximo sábado, na Cinemateca) leva a assinatura da equipe do Nerd Curitibano. "O sonho é, um dia, organizar um encontro que rivalize com os maiores do Brasil e do mundo", afirma.
Entre colaboradores fixos e eventuais, nove pessoas escrevem no blog. Inclusive meninas, algo impensável em uma turma de nerds "das antigas". "É que ser nerd virou moda. E mulher adora estar na moda", ironiza Assis. A designer Mabel Limberger, 22, explica melhor. "É que, com a internet, ficou mais fácil para qualquer pessoa se tornar especialista em alguma coisa".
Seja como for, há o consenso de que o nerd de hoje (ou 2.0, como eles brincam) é mais sociável. O primeiro encontro do grupo fora do espaço virtual, por exemplo, foi regado a cerveja. "Chegaram a sugerir a Gibiteca, ou uma loja de quadrinhos. Por que não um bar?", diz Assis, como se isso não fosse a coisa mais normal do mundo.
Mas, afinal, o que diferencia os nerds curitibanos dos outros? "Curitiba tem o maior número de nerds per capita", afirma Assis. "Só que até pouco tempo eles se escondiam", completa Frensch. Pelo visto, chegou a hora dessa gente mostrar seu valor.

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