15 MINUTOS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Omar Godoy<br>Equipe da Folha 
Ele não se contenta em ser ''o dono do bar'' e passar os dias lidando com fornecedores, funcionários e clientes. Para Paulo Dalla Stella, 45 anos, o Porão Rock Club é um canal de expressão.
Empresário, produtor, agitador cultural, letrista e dramaturgo, Dalla Stella faz do espaço um quartel-general onde tudo tem vez. Ali, ele promove shows, peças de teatro, cursos de auto-ajuda e até encontros espíritas. ''Tenho uma visão mística das coisas'', diz.
Mas a espiritualidade combina com o desregramento da vida noturna? ''Aparentemente, não. O meu desafio é justamente aproveitar a noite para disseminar a arte, que é uma manifestação divina. Isso aqui é a minha igreja'', afirma.
Há dois anos na ativa, o bar acaba de mudar de nome - agora se chama The Basement Pub. Trata-se de um reposicionamento, como se diz na linguagem do marketing. ''O nome original limitava muito o potencial da casa, que sempre abriu as portas para todos estilos'', explica.
Dalla Stella, aliás, é formado na área. Estudou nos Estados Unidos, onde passou por todo o tipo de subemprego antes de se estabilizar no mercado financeiro. Voltou ao Brasil como funcionário de um banco internacional, porém se viu infeliz na função. Queria mesmo é mexer com produção de eventos.
Livre do terno e da gravata, atuou como tradutor e professor de inglês até juntar dinheiro para abrir um restaurante. O empreendimento durou pouco, porém serviu de embrião para o Porão, montado em uma verdadeira catacumba que já foi restaurante, pensão e casa de família no bairro São Francisco.
''Militante'' da música local, o empresário está à frente do movimento Ascende Curitiba, voltado para o fortalecimento dos artistas e bares curitibanos. Entre outras ações, ele apresenta um quadro semanal com bandas novas na TV Transamérica.
Mas sua aposta da vez é o grupo Banks, formado por membros de conjuntos como Zigurate, Poléxia e Hidráulica. Produtor e letrista do projeto, Dalla Stella quer explorar temas locais nas composições - segundo ele, pouco valorizados pelos artistas daqui.
Em ''Curitiba'', a primeira música de trabalho, a cidade é comparada a uma mulher que ''não diz bom dia no elevador'', ''usa maquiagem no Barigui'' e ''come rolmops para arrotar sushi''. Será que emplaca?


