15 MINUTOS
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Omar Godoy<br>Equipe da Folha 
Letícia e Clarissa Rodante, 31 anos, são gêmeas do tipo clássico: não se desgrudam um só minuto. Donas e designers de uma grife de biquínis, a Rodando a Baiana, as duas garantem que se completam em tudo. Até no trânsito. ''É como se a gente dirigisse junto. A Lê no volante e eu orientando do lado'', brinca a irmã.
No trabalho, as duas participam da fase de criação. Mas Clarissa prefere se dedicar à pesquisa. Letícia, mais comunicativa, sai para vender as peças. Seus biquínis, produzidos de forma quase artesanal e exclusiva, surgem da investigação de tendências e novas tecnologias.
A história profissional das gêmeas começa em Maringá, onde nasceram e cresceram vendo a avó costurar. Aos 14 anos, depois de fazer um curso na área, ganharam de Natal sua primeira máquina. E nunca mais pararam de produzir.
Ambas fizeram faculdade em Curitiba. Letícia cursou Desenho Industrial na Pontifícia Universidade Católica (PUC). Clarissa se formou na primeira turma de Moda da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP). Ela conta que a mania por biquínis começou nessa época. ''Fiz um de jeans para mim, sem nenhuma pretensão. As pessoas gostaram, acharam diferente e começamos a criar novos modelos''.
Nesse meio tempo, também se envolveram com a música. Tocaram na banda punk As Garçonetes e chegaram a promover um desfile de biquínis em pleno templo do underground local, o 92 Graus.
De volta a Maringá, em 2002, abriram a loja Rodando a Baiana. Mas o mercado não ajudou, e depois de dois anos as duas se mudaram de mala e cuia para Arraial da Ajuda, na Bahia. Fizeram 3 mil biquínis e caíram na estrada com Gabriela, filha de Letícia.
Chegando lá, venderam todo o estoque para turistas estrangeiras - israelenses, holandesas e, principalmente, portuguesas. ''Elas chamavam a calcinha de cueca e diziam que tudo estava muito 'giro' (bonito)'', lembra Letícia. Era raro uma cliente levar menos de dez peças. Muitas delas compravam 30, 40, para revender em terras lusitanas.
A experiência durou nove meses. Entre outros motivos, porque a região era carente de materiais e mão-de-obra qualificada para terceirizar alguns serviços. E também porque o lugar, definitivamente, não combina com trabalho. ''A gente fazia uma venda na praia e ia deitar na rede, tomar um banho de mar'', conta Letícia.
Radicadas novamente em Curitiba, as gêmeas se preparam para lançar a nova coleção de verão, acompanhada de um blog de divulgação. Tudo num ritmo próprio, sem ansiedade, meio baiano mesmo. ''Nosso esquema é mais caseiro, para manter uma produção exclusiva'', justifica Clarissa. Mas não custa dar uma força: contatos pelo e-mail [email protected].


