15 MINUTOS - Rock, rádio e Jesus
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Omar Godoy<br>Equipe da Folha 
Arquivo-vivo das últimas três décadas do rock brasileiro, a curitibana Marielle Loyola não se acomoda. Aos 42, divide-se entre os palcos, o rádio e, agora, a igreja. Isso mesmo. A roqueira que já foi da turma de Renato Russo, na Brasília dos anos 1980, há pouco foi batizada na Comunidade Golgota, uma denonimação evangélica underground formada por metaleiros e punks devotados a Jesus.
''Deus para mim sempre foi tudo, e conheço o pessoal da Golgota há alguns anos. Meu batismo foi só para oficializar essa relação'', explica Marielle. Para a cantora, o grande barato da comunidade é a liberdade individual dos membros. ''Nosso pastor costuma dizer que você pode sair à noite, beber, fazer o que quiser. Porque não é com ele que você vai prestar contas no final'', afirma.
Ela mesma não deixou de lado a vida noturna, ainda que tenha diminuído o ritmo nos últimos tempos. ''A vida toda eu saí, mas nunca bebi. Só não consigo largar o cigarro. A boemia, para mim, é sinônimo de relacionamento com os outros músicos'', garante.
Esse relacionamento se acentuou de sete anos para cá, quando Marielle começou a promover bandas novas no rádio. Hoje, ela participa de programas nas FMs Mundo Livre e 91 Rock, sempre antenada com o cenário da música independente.
Como artista, a cantora segue com o grupo Cores D Flores e ensaia, em São Paulo, para o retorno do Volkana, banda feminina de metal que fez história nos anos 90. A grande novidade, contudo, é o seu primeiro trabalho solo, previsto para 2009.
Radicada em Curitiba há 11 anos (ela nasceu na cidade, mas passou por Brasília e São Paulo antes de voltar), Marielle não pensa em se mudar novamente. ''Aqui é o único lugar onde tem show de segunda a segunda. E de todos os estilos'', afirma.
Sobre o segmento gospel em especial, a cantora conta que a nova tendência é o emo evangélico. ''É o que mais tem agora lá na comunidade'', diz. A gente morre e não vê tudo...


