Os alunos do Colégio Estadual Tiradentes, localizado no centro de Curitiba, não tiveram aulas nesta quarta-feira. Em compensação, durante todo o dia foram feitas atividades recreativas, como apresentação do Quarteto de Cordas da Fundação Cultural de Curitiba, leitura de poesias, jogos e dança. Os pais encaminharam bolos, tortas e bebidas para serem servidas aos estudantes, que estavam liberados de usar uniforme neste dia.
  O motivo de tanta festa é o aniversário de 115 anos do Colégio - um dos mais antigos do Paraná - completados no dia 16 de maio.
  Para comemorar a data, a direção da escola pesquisou documentos antigos no Arquivo Público do Estado e produziu um audiovisual contando a história da instituição. Entre as descobertas está o decreto legislativo, assinado em 16 de maio de 1892 pelo então governador do Estado, Francisco Xavier da Silva, que determina em seu artigo primeiro: ‘‘Fica o governo do Estado autorisado a contractar com a sociedade ‘Propagadora da Herva Matte’ a construção de um edifício para a escola de instrução primária (...)’’. O proprietário do terreno e presidente da sociedade de propagação da ‘‘Herva Matte’’, na época, era ninguém menos que o Barão do Serro Azul. O valor da obra, segundo o texto, era de 20 contos de reis, que foram retirados dos ‘‘fundos cobrados pelas colletorias de Paranaguá e Antonina para a propaganda do matte na Europa’’.
  A pedra fundamental da escola foi lançada em 19 dezembro de 1892, em comemoração do 39º aniversário de instalação da província do Paraná. A construção ficava na Rua Serrito, hoje Barão do Serro Azul, esquina com a Rua Graciosa, hoje Carlos Cavalcanti. Sua inauguração deu-se em fevereiro de 1895 e a primeira diretora da instituição foi a educadora Júlia Augusta de Souza Wanderley.
  Com uma história tão extensa, é normal que a saudade bata forte no peito daqueles que passaram pelo Colégio. O engenheiro civil Norton Peixoto Mattos emocionou-se ao voltar à sua antiga sala de aula, quando foi contratado para conduzir uma reforma emergencial no prédio. ‘‘Estava tudo do mesmo jeito, quando entrei na sala me veio tudo a mente’’, conta. Aluno do Tiradentes entre 1964 e 1967, o engenheiro, hoje com 49 anos, fez uma viagem no tempo com a visita. ‘‘A infância é a parte mais gostosa da vida, acho que por isso me marcou tanto’’, relembra.
  Outra pessoa cuja história corre junto a do Colégio Tiradentes é a cantineira Dulce de Araújo. Funcionária da escola há 29 anos ela viu seus filhos e netos passarem pela instituição e não esconde o orgulho na hora de comentar esta vivência. ‘‘É uma honra falar do Tiradentes’’,
declara-se.

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