100 mil toneladas de batata para colher
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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007
Denise Ribeiro<br> Equipe da Folha 
Mais do que beneficiar o consumidor com preços baixos, a venda direta de batata em caminhões pelos produtores nas ruas de Campo Largo foi a saída encontrada ainda no ano passado pelos agricultores para conseguirem quitar dívidas e arcar com as despesas da família. Segundo o secretário executivo do Sindicato Rural de Campo Largo, Hugo Ruthes, desde o último dia 22 de dezembro, os produtores da cidade já venderam 200 toneladas de batata em caminhões espalhados pelo centro e bairros do município, a R$ 0,20 o quilo. Este mês a Prefeitura de Campo Largo renovou a autorização a 30 produtores.
A cidade tem entre 250 e 300 agricultores cultivando batata, segundo Ruthes. E quase 100 deles estão vendendo o produto nos postos autorizados também em Curitiba. ''Se lembrarmos que entre 80 e 100 mil toneladas de batata ainda estão na terra na Região Metropolitana, não comercializamos nem uma gota d'água'', lamenta o secretário. A maior parte da produção excedente vai acabar ficando na terra, segundo Ruthes. ''O produtor está constrangido por deixar alimento apodrecendo no campo enquanto sabe-se que tem gente passando fome'', explica. Para evitar o desperdício, os agricultores de Campo Largo ofereceram a produção que ainda está na terra para quem quisesse viabilizar doações. ''Nem assim eles vieram, querem fazer caridade com o chapéu dos outros. O produtor está descapitalizado, não tem dinheiro para fazer a colheita'', defende.
Campo Largo é um dos maiores produtores de batata da Região Metropolitana de Curitiba, ao lado de Contenda, onde os agricultores também passam por dificuldades, como mostrou a reportagem da Folha publicada no caderno Curitiba da última sexta-feira. Na região, também cultivam o produto agricultores de Balsa Nova, Campo Magro e Almirante Tamandaré. Segundo Hugo Ruthes, em Campo Largo não houve aumento da área plantada nessa safra, o que provocou a crise foi a combinação de condições climáticas ideais e a boa produção nos estados de São Paulo e Minas Gerais, maiores produtores do país. O Sindicato Rural de Campo Largo encaminhou na segunda-feira ao ministro da Agricultura, Luís Carlos Guedes Pinto, e ao deputado federal Moacir Micheletto (PMDB), por e-mail, um pedido de criação de uma comissão nacional que acompanhe a campo a situação dos produtores de batata de todo o país.


