100 anos de previsão do tempo
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Diogo Cavazotti<br>Equipe da Folha 
Alerta para baixa umidade relativa do ar abaixo de 30% no Nordeste. Condições favoráveis à ocorrência de declínio acentuado de temperatura do ar, principalmente de madrugada, no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Essas foram algumas das informações divulgadas ontem pelo Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia). O setor do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento completa 100 anos em novembro. Desde 1909 ele monitora o tempo e o clima no Brasil e em 1917, com uma pequena rede meteorológica montada com um telégrafo, foram informados para o público os primeiros dados do tempo, em um jornal do Rio de Janeiro.
Desde o início do século passado o Inmet auxilia na previsão de estragos provocados por fenômenos naturais, como tempestades, estiagem, elevação da temperatura e radiação solar. O instituto também colabora com informações sobre o tempo para o Simepar (Sistema Meteorológico do Paraná), que existe há 30 anos. O meteorologista Fernando Mendes explica que a década de 1990 foi muito importante para a previsão do tempo, quando equipamentos mais eficientes foram lançados. ''Hoje a transmissão dos dados dos radares nos é enviada via celular a cada 15 minutos'', explica o profissional.
O Simepar fornece as previsões do tempo por telefone e internet. São aproximadamente 100 ligações por dia. Na maioria das vezes são agricultores preocupados com geadas (que danifica as plantações de café), as fortes chuvas (milho, soja e algodão), granizo (maçã) e vento (feijão).
''Cada vez surgem mais elementos que tornam mais complexo mas também mais real a previsão meteorológica'', conta Mendes. Um exemplo são os equipamentos que medem a qualidade do ar. O resultado também influencia no aumento da temperatura. Nesses casos, a interpretação do resultado de acordo com a região é fundamental, e aí entra a experiência de um meteorologista. Se em uma região irá chover 20mm, um rio pode transbordar, o que não aconteceria em outra parte do local, onde a margem é mais alta. O impacto que isso gera na agricultura é grande.
No Paraná, o sistema de meteorologia funciona sete dias por semana, 24 horas. São 39 funcionários e mais 30 estagiários que analisam as informações recebidas pelos radares distribuídos pelo Estado. O Simepar possui contato direto com diversos órgãos, como a Defesa Civil, para emitir com tempo suficiente alertas sobre geadas fortes.
Em 2007 foi investido R$ 1,5 milhão em novos equipamentos meteorológicos para o Paraná. No ano passado o valor gasto foi de R$ 2,4 milhões. A previsão é que até o final de 2009 sejam investidos R$ 3 milhões em manutenção e na compra de novas máquinas.
Como não é possível avaliar o clima do Estado pesquisando os dados apenas do Paraná, os meteorologistas precisam buscar informações de São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Argentina. O que acontece por lá influencia no que irá ocorrer aqui. É nesta etapa que o contato com outros órgãos avaliadores do tempo, como a Inmet, são importantes. Assim, é possível avaliar quanto tempo uma frente fria vai demorar para chegar a determinada região, além de prever chuvas e massas quentes de temperatura. Às vezes algumas alterações podem acontecer e a previsão do tempo falhar, estes casos isolados são explicados pelos diversos fatores que podem influenciar na mudança climática. Mas a precisão da informação está ainda melhor. Cada vez mais cedo são lançados programas e equipamentos que aumentam as chances de detectar com antecedência o que vai acontecer do lado de fora da janela.


