Cerca de 10% da frota de veículos de Curitiba, o que equivale a aproximadamente 100 mil carros, apresentam algum tipo de irregularidade ou alteração em sua estrutura, peças ou lataria. A estimativa é da Associação dos Revendedores de Veículos Automotores do Paraná (Assovepar), baseada em perícias que afiliados da entidade têm realizado nos automóveis que pretendem comercializar. Na maioria das vezes, os problemas detectados não configuram crimes ou infrações, mas interferem no preço de revenda dos veículos, podendo prejudicar o consumidor.
O diretor de relações públicas da Assovepar, Gilberto Deggerone, explica que as perícias começaram há cerca de seis meses, por meio de um convênio firmado entre a associação e a empresa paulista Terceira Visão, que possui uma franquia em Curitiba. ''Antes de comprar um veículo para revender, o lojista pode chamar a empresa, que verifica todas as informações e as condições do carro, emitindo um laudo por escrito'', diz. ''A idéia é que o comerciante esteja amparado e, além disso, passe confiança para seu cliente na hora de fechar negócio'', acrescenta.
Atualmente, cerca de 90 das 210 lojas que integram a Assovepar contratam o serviço de perícia antes de adquirir veículos. A grande maioria delas está em Curitiba, mas já existem algumas revendas de Londrina e Maringá aderindo ao serviço. ''Muitas dessas lojas periciaram também a frota que já tinham em seus pátios'', garante Deggerone. No total, quase 4 mil automóveis passaram por vistorias na Capital, sendo que a Terceira Visão constatou irregularidades em 10% deles. Como se trata de uma amostra significativa, a associação conclui que o índice pode ser representativo de toda a frota da cidade, que atualmente possui mais de 1 milhão de veículos.
Em geral, as perícias conseguem detectar detalhes que foram omitidos por quem quer negociar os carros com as revendedoras. Como por exemplo, cortes estruturais nos automóveis, com substituição de teto, traseira ou dianteira. Implantação de chassis, câmbios lixados, motores adulterados e peças que não são originais também são encontradas com certa frequência. ''Em geral, elas não são irregularidades do ponto de vista legal, mas sim do ponto de vista comercial'', explica Deggerone. ''Como vendedores há muitos anos no mercado, conseguimos detectar várias dessas irregularidades, mas para descobrir algumas delas é preciso uma análise mais aprofundada.''
Segundo o diretor da Assovepar, os lojistas não exigem que tudo no veículo seja original na hora de fechar um negócio. ''Mas se ele sofreu alguma alteração, é preciso que isso seja identificado no momento de ser comercializado para que tanto o lojista como principalmente o cliente não sejam prejudicados'', ressalta. Ele compara a omissão de informações sobre as condições de um automóvel colocado no mercado à fraude no leite descoberta recentemente pela Polícia Federal em duas cooperativas de Minas Gerais, que adicionavam soda cáustica e água oxigenada ao produto para aumentar seu volume. ''Nos dois casos há um abuso da confiança do consumidor'', conclui.

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