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Brandão e o universo da bola
A rotina nômade faz parte da vida de Evaeverson Lemos da Silva, o Brandão, desde a infância. Natural de Brusque (SC), ele acompanhava o pai, que era jogador e foi ídolo do Londrina Esporte Clube na década de 70, a cada mudança de cidade. Hoje aos 35 anos, tem carreira consolidada no futebol europeu. Em Londrina na última semana, o atacante do Bastia, da França, abriu as portas de sua residência para um bate-papo exclusivo com a FOLHA. As conquistas, as polêmicas, seu estilo, as baladas, os projetos e a pergunta que não cala – afinal, Brandão encerra a carreira pelo LEC? – recheiam o bate-papo. As fotos são de Fabio Alcover.
Social - Thiago  Nassif
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Qual a influência de seu pai em sua escolha pelo futebol?

Ele sempre me incentivou, mas antes disso, ele e minha mãe falavam para eu estudar. Tentei fazer faculdade, fiz Ciências Biológicas, mas aí não deu para conciliar: era ou o futebol ou a faculdade. São poucos os que conseguem se sobressair e graças a Deus tive essa oportunidade.

Você sempre foi conhecido por sua força física. Hoje, o que vale mais no futebol: força ou técnica?

No futebol europeu, muito mais a força física, mas tem que ter o equilíbrio. Hoje, o futebol exige força física. Um exemplo é o Neymar. Na Europa, ele já ganhou corpo, massa muscular.

Por falar em Europa, você foi o primeiro brasileiro a jogar na Ucrânia, abrindo caminho para essa "legião" que depois se mudou para lá...

Sim. Em 2002 fui o primeiro brasileiro a vestir a camisa do Shakhtar Donetsk. Fico feliz e honrado por ter aberto caminho num clube que hoje é internacionalmente reconhecido. Depois, vieram outros jogadores como o Elano, Matusalém, Fernandinho, William...

Qual o melhor momento de sua carreira?

Sempre me vem à memória o gol que fiz contra a Inter de Milão, nas oitavas de final da Liga dos Campeões. Lembro-me que falei para o treinador Deschamps (Didier) que eu iria entrar e fazer o gol para o Olympique. No momento, ele disse "vai lá". E aconteceu. Nos classificamos para as quartas de final.

Você tem a cidadania francesa. Considerou jogar pela seleção de lá?

Sim, até o treinador Deschamps disse que eu poderia ter ido para a Copa do Mundo, mas o legal disso é o fato de lembrarem de mim.

Quais seus principais acertos na carreira?

Acreditar sempre. Eu acredito sempre.

E os erros? Há muitos que dizem "mas o Brandão é bad boy"...

Todos os erros que tive no passado serviram de experiência para futuramente eu crescer, evoluir como homem e pessoa. Hoje, posso dizer que sou mais tranquilo, sei o que tenho que fazer dentro de campo.

É possível fazer bons amigos no futebol?

Sim.

E você tem muitos?

Tenho muitos colegas. Amigos, amigos, são poucos: o Willian, do Chelsea; o Leonardo, que é um zagueiro do Santos; o Fernandinho, Jádson, Rafinha...

A enciclopédia virtual diz que você tem 130 gols. Atualize a conta...

Rapaz, vou falar a verdade: não conto os gols. Para mim, agora, o que eu faço é lucro.

Aos 35 anos, sente-se em forma? Pretende seguir até quando jogando?

Eu me sinto muito bem e motivado. Enquanto tiver essa motivação, essa alegria de jogar e a permissão de Deus, vou continuar. Quem sabe até aos 40 anos. Vamos ver...

Seu contrato com o Bastia segue até quando?

Até o meio de 2017. Este ano, como a Eurocopa será na França, o calendário de jogos já começou no último sábado. Nem pude passar o Ano Novo em Londrina, já estava lá.

Quais suas expectativas para este ano?

Seguir jogando e que o time continue subindo na tabela. Estávamos na zona de rebaixamento, mas estamos melhorando.

Finalizado o contrato na França, em 2017, o Brandão realiza o sonho de seu pai e joga pelo Londrina?

Não há nenhuma negociação, mas o desejo de meu pai é que eu encerre a carreira no LEC. Ele comenta sempre sobre isso, mas agora estou focado em terminar bem o campeonato. Não tenho planos de voltar para o Brasil por enquanto, mas quem sabe algum dia... Por meu pai ter jogado no LEC e ter sido um dos melhores artilheiros do time em 1977, quem sabe...

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Bate-bola


Uma mania e um defeito de Brandão...
Fico direto no celular. O defeito é que sou teimoso (risos).

Na hora das compras...
Minha "Disneylândia" sem dúvidas são as lojas de sapato e roupa.

Qual seu estilo?
Eu gosto de um tênis brilhoso, uma camiseta brilhosa como a que estou usando hoje. Na Europa é moda e os outros jogadores usam também.

Econômico, moderado ou gastador?
Sou equilibrado.

Na minha geladeira não faltam...
Carne e feijão.

Mulher bonita: minha mãe.

Melhor balada: rapaz, tem tantas, até já fiz umas festas... Mas uma que já fui e gostei muito, foi a balada de Nikki Beach, em St. Tropez.

Falando nisso, não vai promover mais uma daquelas baladas em Londrina?
Risos. Pretendo futuramente promover sim.

Um programa de índio: não me convidem para um show de rock.

Gêneros musicais: hip-hop, gospel, pagode, sou bem eclético.

Trajetória mais fantástica: Cristiano Ronaldo, Messi ou Neymar?
Messi.

Melhor jogador em atividade: o Neymar

Brasil nas eliminatórias... O Dunga está fazendo um bom trabalho, mas ainda precisa de adaptação.

Um time que vai despontar em 2016... O Barcelona está ganhando tudo, mas o Paris Saint-Germain está vindo forte.

Uma seleção: a Alemanha hoje é a grande potência.

Uma frase: ter fé em Deus e acreditar sempre. Tudo é possível.

Um sonho: quero formar uma família e ter filhos

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