O humor como missãoAos 32 anos, Léo Lins é um dos nomes do humor brasileiro na atualidade. No elenco do "The Noite", nas madrugadas do SBT, ele também faz sucesso, País afora, com seus shows de stand-up. Em meio às comemorações dos 10 anos de carreira, Léo esteve em Londrina no início do mês e falou com a FOLHA. O novo DVD, gravado em São Paulo, o atual momento do humor no Brasil, o implante de cabelo e até o bronzeado de Marcos Mion recheiam o bate-papo. Como conselho aos aspirantes a seguir seus passos, faz importante alerta: "Você tem de batalhar e ter foco. Para crescer, é preciso saber aonde se quer chegar". Na foto de Fábio Alcover, Léo veste a camiseta da Ong Viver e abraça a causa em torno do McDia Feliz.
Na última vez que esteve em Londrina, em maio, você estava para gravar um DVD. Afinal, o filho nasceu?Foi um filho mesmo, porque gastamos muito dinheiro (risos). Eu fiquei muito contente, mas não posso dizer que estou satisfeito com o resultado porque o DVD ainda não saiu. Conseguimos encher duas sessões e reunir 1200 pessoas numa segunda-feira, em São Paulo, para a gravação. Confesso que me envolvi em tudo: cenário, iluminação... O stand-up trouxe muita coisa para mim e fazer esse DVD com carinho é uma forma até de ajudar a arte do stand-up a se perpetuar.
E quando será lançado?Em outubro ou novembro. A versão pirata deve estar pronta mês que vem (risos).
O "The Noite" tem muitas vezes liderado a audiência. Há uma relação de amizade fora do vídeo, com seus colegas?Sim. Eu e o Danilo (Gentili) começamos na mesma época e já éramos amigos antes do programa. A relação com alguns colegas vem de longa data e é de muita amizade. Isso é um grande referencial do programa. Não é só reunir "x" pessoas. Ter química em um programa é algo difícil e esse é um de nossos maiores trunfos. Tudo ali é real: somos o fundão da 5ª série!
Você está comemorando dez anos de carreira. Sente-se mais ou menos livre? As pessoas estão mais chatas ou menos chatas?Conforme sua carreira vai avançado, você vai entrando no radar das pessoas que se incomodam com tudo. Tem piadas que se eu fizer hoje vou encarar processos. Anos atrás, isso talvez não acontecesse porque eu não estava aparecendo.
Filtra as piadas?Não. Escrevi uma piada, achei engraçada, eu faço! Minha intenção nunca é ofender. A ofensa gratuita, não em formato de piada, não é engraçada. Eu nunca penso "essa piada é boa porque vai ofender um monte de gente e eu vou levar uns três processos". Se eu quisesse levar um processo, bastava eu escrever algo no Facebook. Não faço isso porque não tem graça e meu objetivo é levar graça.
Como avalia o humor atual, na TV aberta?Hoje, há muito saudosismo. Da mesma forma que dizem que tínhamos que aprender com o Chico Anysio, daqui a alguns anos, se um cara for fazer piada, vão dar, como conselho, que o bom seria aprender com o pessoal do "The Noite", que o programa é uma referência. Trabalhar com o humor é algo muito difícil. Dependendo da piada, ela envelhece muito rápido. Um exemplo: a luta da Ronda. Fiz uma piada no sábado, na terça-feira já estava velha!
Sente-se pressionado?Muito. Cobro-me muito no que faço, em fazer algo novo. Depois do DVD, já estou pensando no segundo show, para começar a rodar com ele ano que vem. Vou lançar meu livro "Sapo Césio" pelo Catarse, que é um sistema de crowdfunding (financiamento coletivo). Quero, com esse lançamento, atingir meu público de uma forma diferente. Vamos ver se eles querem essa história. Tenho ideia de série, filmes... Se você para, sua carreira para.
Qual conselho daria aos humoristas?Vejo muitos humoristas reclamando, mas fazendo as mesmas piadas há sete anos. Você tem de batalhar e ter foco. Para crescer, é preciso saber aonde se quer chegar. Não basta tatear no escuro, o essencial é ter uma meta e batalhar por ela. Hoje, o mundo sertanejo é muito bem assessorado. No humor, não há isso. Não sou marqueteiro, mas com o tempo você vai pegando um pouco de sagacidade para conseguir direcionar a carreira.
CuriosidadesEle toma "bomba"?"O pessoal zoa que eu tomo bomba e minha avó veio falar que isso encolhe o pênis."
Léo e as piadas"Não me incomodo de jeito nenhum com essas brincadeiras comigo. O humorista não deve se incomodar com piadas."
Marcos Mion está laranja?"Eu disse que queria ficar musculoso como o Terry Crews, de Todo Mundo Odeia o Chris, e não ficar laranja como o Marcos Mion. Trabalhei como redator do Legendários e sempre disse que ele estava laranja e tomava bomba, parecendo uma cenoura de Chernobyl (risos)."
"Tomara que Caia", um fiasco"Fiz um vídeo enterrando simbolicamente o novo programa de humor da Globo. Se eu acho que está ruim? Sim, está. Pode ser que melhore. Tem uma equipe muito bacana envolvida"