Uma rainha sem sucessorasEsqueçam as caras e bocas de Anitta, as selfies sensuais dos sertanejos e os milhões de seguidores no Instagram. Sem nenhum desses recursos, há quase 30 anos, Sula Miranda despontava nas paradas de sucesso em cenário predominantemente masculino: o sertanejo. Às voltas com o lançamento de seu 18º trabalho, a cantora, que tem como ídolos as Irmãs Galvão e Nalva Aguiar, esteve em Londrina anteontem. A relação com a cidade? A melhor possível. "Se não morasse em São Paulo, moraria em Londrina!", declarou. Nesta entrevista à FOLHA, a também locutora e apresentadora fala de carreira, cenário atual, segredos de beleza aos pasmem!- 51 anos, música gospel, da relação com a irmã, Gretchen, e sentencia: uma vez rainha dos caminhoneiros, para sempre rainha! A foto é de Bruno Ferraro
O romantismo impera em suas composições?Tem que ser. Nós, cantores, embalamos a história de vida das pessoas. Da novela à vida real, o romantismo está presente em todos os momentos: há a música do primeiro beijo, do casamento, do nascimento do primeiro filho. Em minha nova música de trabalho, "Absolutamente Meu", que é de minha autoria, o romantismo não fica de fora.
Qual a sensação de, quase 30 anos depois, regravar seu maior hit, "Caminhoneiro do Amor"?Foi uma necessidade. Não tem jeito. Eu posso ir a 500 programas de TV, rádio, as pessoas pedem para eu cantar um pedacinho. De tempos em tempos, dou uma nova roupagem. Em 2015, a música vem em sintonia com o atual momento do sertanejo, mais dançante, agregando um novo público.
Nessas três décadas, há uma relação especial com Londrina...Sim, minha história com a cidade é especial. No comecinho da carreira, fiquei muito aqui, participava do programa do saudoso Alborghetti, o hotel era minha casa. Eu vinha para ficar uma semana, 15 dias, acabei criando um vínculo mais que especial. Sempre disse e repito: se um dia tivesse que morar em outro lugar, seria em Londrina! Hoje, mais ainda. A cidade está linda. Um dos meus recordes de público foi na ExpoLondrina. 70 mil pessoas a gente nunca esquece!
Há uma sucessora para a "Rainha dos Caminhoneiros"?Graças a Deus não. Nosso país, também nesse ponto, é abençoado: aqui, não tem essa história de rei morto, rei posto. O Pelé é o rei do futebol, a Xuxa, a rainha dos baixinhos, a Regina Duarte, a eterna namoradinha do Brasil, a Gretchen, a rainha do bumbum, e a Sula Miranda, a rainha dos caminhoneiros, graças a Deus (risos). Tive o privilégio de ser escolhida e representar um segmento. Só posso agradecer.
Há alguns anos, você investiu na música gospel. Tinha abandonado o sertanejo?Eu não mudei de estilo musical, eu mudei de vida. O gospel não veio à minha vida para eu tentar uma carreira, ele veio porque eu mudei minha maneira de viver, de me posicionar, com minha fé, e isso veio por adoração e louvor. Canto, escuto, quero cantar música gospel no meu dia a dia em casa, mas minha atividade, aquela que o Brasil me abraça, é como cantora sertaneja. Meu sustento vem daí.
Como vê o cenário musical atual?O máximo. Quando me lancei, eu era a novidade. Hoje, o sertanejo universitário é a evolução. Daqui a dez anos vai ser outro título e quero acompanhar. Neste novo trabalho, gravei arrocha e universitário também. Brinco que a tia Sula está pós-graduada!
Fazer sucesso hoje é mais fácil?O saudosismo vem da espontaneidade, de fazer o sucesso pelo sucesso. Hoje, não são mais as rádios, mas as redes sociais que fazem o êxito do artista, são outros caminhos, adaptações. Reciclar-se é preciso e manter-se em evidência é difícil.
Quais os requisitos?Postura e muita disciplina. Temos de saber que agora, por exemplo, não está acontecendo o melhor momento para mim, mas tenho meu espaço no mercado, sem surtar. A vida, em qualquer profissão, é entender que hoje é seu momento. Dez anos depois, é de outra pessoa. A tua bagagem vai ter um peso para que te respeitem.
Qual a pergunta que não aguenta mais responder?Se sou irmã da Gretchen ou da Roberta Miranda.
E quais suas impressões sobre as duas, em especial sobre sua irmã...Desfazendo a confusão: sou irmã da Gretchen, somos irmãs, temos estilos de vida, de música, de tudo diferente, mas o que nos une é muito maior do que nos separa, que é o amor. Em relação à Roberta, já demos muitas risadas com essa confusão, ela administra muito bem isso e respeito demais sua trajetória.
Qual seu projeto?Já plantei a árvore, tive o filho, escrevi o livro, mas o que quero realizar é, por incrível que pareça, gravar meu primeiro DVD. Será para comemorar os 30 anos de carreira.
Tem algum arrependimento?Pela minha fé, tive o melhor arrependimento: me arrependi de tudo que fiz e não foi bom, e isso causou minha conversão, que só vem quando existe o verdadeiro arrependimento. Tive muitos arrependimentos, mas já me consertei com o Senhor. Isso me tornou a pessoa que sou hoje. As experiências estão aí para a gente fazer diferente e melhor.