Há décadas as campanhas presidenciais do Partido dos Trabalhadores criticam as privatizações promovidas durante os anos do governo peessedebista de Fernando Henrique Cardoso. Eis que nove anos depois de chegar ao poder, em uma reviravolta histórica, o governo petista anuncia que vai entregar à iniciativa privada a administração dos aeroportos de Guarulhos (SP), Viracopos (SP) e Brasília (DF). Os terminais Tom Jobim/Galeão (RJ) e Confins (BH) também devem fazer parte do ''negócio''. A previsão é de que o edital de licitação seja divulgado até setembro.
A afirmação foi feita quase um ano depois de o ex-presidente Lula anunciar, em plena campanha eleitoral, investimentos bilionários da Infraero. Investimentos estes que ou não saíram do papel ou têm seus recursos liberados a conta-gotas, o que só aumenta o desconforto dos usuários. As concessões serão feitas pelo modelo de Sociedades de Propósito Específico, sendo que a estatal terá participação de até 49% na composição acionária.
A medida tira a gestão de terminais considerados estratégicos do governo federal, que está insatisfeito com o modelo atual adotado pela Infraero. A presidente Dilma Rousseff avalia que a estatal não dá conta da demanda crescente. E ela está certa. Quem já passou por qualquer terminal do país pôde comprovar instalações antigas, falta de conforto, ausência de vagas em estacionamentos, entre outros problemas. A privatização, por mais que seja uma quebra de paradoxo, pode ser a saída para solucioná-los.
Mas chama a atenção o fato de que só os aeroportos considerados de maior movimento entraram no plano de privatização. Os médios e pequenos, como os localizados no Paraná, ficaram de fora, mesmo apresentando os mesmos problemas, ainda que em menor escala. Resta saber se a Infraero melhorará os serviços nestes terminais, já que teoricamente deixaria de responder pelos grandes. O governo precisa adotar medidas para que todos sejam beneficiados.

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