Certa vez, o escritor e filólogo italiano Umberto Eco disparou que as redes sociais deram voz à uma "legião de imbecis". Permito-me acrescentar que além de uma legião de imbecis, uma legião de preconceituosos, de machões, de perseguidores. Em áreas como a política e o futebol, as manifestações absurdas de gente sem noção podem ser vistas em proporções absurdas. E nós, jornalistas, apanhamos por tabela, por sermos "petralhas" ou "coxinhas", ou por torcermos para este o para aquele time. Sempre a informação repassada pelo profissional é vista com olhos nada amigáveis por esse tipo de gente. Algo do tipo "não escreveu o que eu queria que tivesse escrito, então está do outro lado, é meu inimigo", num resumo simples.
Os machões das redes sociais são donos da verdade, não aceitam o contraditório, sempre culpam o outro pelo seu insucesso ou por não ter acontecido o que ele acha que teria que acontecer, por ter opinião diferente ou simplesmente por este "inimigo" ter executado o seu trabalho de forma correta.
A bola da vez é o repórter da TV Globo Eric Faria. O Santos o acusa formalmente de ter avisado o quarto árbitro no duelo diante do Flamengo, na quarta-feira (26), de que o zagueiro Rever teria tocado na bola e não no jogador do Santos em um lance em que o juiz Leandro Vuaden havia marcado pênalti. O árbitro acabou desmarcando a penalidade.
O Santos acusa o repórter, mas não há uma imagem sequer que o mostre se dirigindo ao quarto árbitro. Em entrevista à ESPN, o próprio Modesto Roma Júnior, presidente santista, diz que não viu a cena que o time dele acusa ter ocorrido. Se realmente ele tivesse feito esse comunicado, teria que ser punido por isso, já que a regra do futebol não permite essa interferência externa. Mas não há, até agora, nada que embase essa denúncia.
Ao jogar no ar essa situação após uma eliminação, o Santos expõe um profissional a situações constrangedoras e perigosas, o joga aos leões. Coloca sua torcida contra o jornalista, que relatou ao programa "Redação Sportv" o que vem passando. "Gostaria de dizer que tudo isso é muito chato. Gostamos de vir aqui para falar de futebol. O futebol está virando uma coisa muita maluca que não gostamos ver. Estar aqui falando de uma acusação leviana, falsa que está me dando dor de cabeça em rede sociais. Já recebi um monte de ameaça de morte, que se for na Vila vou sair de camburão do IML, tomar pedrada, paulada. Mais do que um repórter, tem um cidadão, um pai de família. Tenho um menino de 10 anos que me mandou um WhatsApp e perguntou se estava tudo bem neste rolo todo", contou.
A que ponto chegamos?!?! O cara perder tempo de ir numa rede social xingar e ameaçar de morte um jornalista porque ele supostamente teria prejudicado seu time... E não é privilégio deste grupo de santistas essa imbecilidade. Ela está por todos os cantos. Inclusive aqui em Londrina. Escreveu ou falou o que o cara não quer ouvir, vai ser xingado e ameaçado. Essa é a vida moderna. E viva os imbecis.

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