O Brasileirão está virando Brasileirinho? Se depender do "planejamento" de clubes e treinadores, sim. Cada vez mais o torneio que deveria ser o mais importante do País vai sendo deixado de lado para que sejam priorizadas as copas: a Libertadores, por ser o torneio mais importante da América, e a do Brasil, porque passou a ter premiação milionária e por ser o caminho mais curto para a competição continental.

O campeão da Copa do Brasil de 2018 levará para casa R$ 50 milhões. É uma premiação recorde para os padrões do futebol brasileiro. Até ser vice não é mau negócio: leva R$ 20 milhões. Isso faz com que cada vez mais os times passem a utilizar equipes mistas ou, como vem se tornando comum, 100% reservas no Brasileirão. A desculpa é poupar os principais atletas para as decisões nas respectivas copas.

Desta forma, vemos um Campeonato Brasileiro descaracterizado e, muitas vezes, decidido por reservas. Entendo que o futebol mudou, que exige-se muito mais fisicamente dos atletas, mas confesso que não me entra na cabeça um treinador que está lá em cima da tabela, com chances de brigar pelo título, simplesmente ignorar o torneio para depositar as fichas somente no mata-mata.

O primeiro turno nem acabou ainda e já tem time que abriu mão do Brasileirão mesmo estando entre os primeiros. Na Europa também se joga no meio e no final da semana, mas nem por isso se poupam tantos jogadores. Dar descanso para três ou quatro, ainda vá lá. Ninguém é de ferro, e com um elenco forte é possível descansar alguns atletas sem deixar o nível cair, mas tirar um time inteiro é zombar da competição e de quem pagou ingresso achando que veria o time principal em campo. Por essas e outras que os estádios estão ficando cada vez mais vazios, junto com o interesse do torcedor.

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