BOLA PRO MATO
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segunda-feira, 11 de junho de 2018
por Thiago Mossini 
A "pré-temporada" do Brasileirão termina nesta quarta-feira (13), quando o torneio para em virtude da Copa do Mundo. Ao voltar, no dia 18 de julho, os torcedores certamente demorarão um tempinho para reconhecer o time do coração, tamanhas as mudanças que devem ocorrer nos elencos neste mês de pausa.
O líder Flamengo perderá pelo menos duas peças importantes: Vinícius Júnior, vendido ao Real Madrid, e Felipe Vizeu, negociado com a Udinese. Dois jovens com participações importantes na liderança isolada do time. Roger Guedes, do Atlético-MG, melhor jogador do Brasileirão, deve ir para o Oriente Médio.
Os times brasileiros não conseguem segurar nem os melhores jogadores e, muitas vezes, nem os piores. É só chegar uma proposta do exterior que as malas são feitas. Muitas vezes, é verdade, pela falta de condições de cobrir a oferta ou por precisarem fazer caixa para cobrir rombos. O "inteligente e bem intencionado" cartola brasileiro vende um talento a preço de banana para cobrir um buraco deixado pelo investimento astronômico em algum ex-jogador em atividade que vem "roubar" um pouquinho no Brasil antes de encerrar oficialmente a carreira. Em outros casos, é a vontade do jogador ou de seu empresário que fala mais alto e aí não tem o que fazer.
Com essas mudanças cada vez mais frequentes de elencos, com tanta gente jogando tão pouco tempo em um clube brasileiro, fica difícil apontar ídolos locais hoje. São raros os jogadores dos quais o torcedor se orgulha e nos quais se espelha.
A própria seleção virou uma equipe sem ídolos. O Neymar é o melhor jogador brasileiro e um dos cinco melhores do mundo, mas é ídolo no Brasil? Tenho minhas dúvidas. O consenso é que a seleção está cheia de craques e é, sim, uma das favoritas ao título, mas você não vê ninguém batendo no peito e falando que o ídolo dele é o Fulano. Talvez o único ali que seja idolatrado por uma torcida brasileira seja o Cássio, por sua história no Corinthians. O maior ídolo brasileiro lá na Rússia é o técnico Tite.
Quando eu era moleque, jogava sempre com a 11, do Romário, ou com a 7 do Túlio Maravilha. E olha que os dois não jogavam no meu time, cujo camisa 10 e 1 me inspiravam. Hoje, meu filho, os amigos dele e a molecada de um modo geral mal sabem quem joga em seus times do coração e, quando vão imitar algum craque, sempre é gringo.
E o pior de tudo é que os clubes não conseguem enxergar isso e não se esforçam para mudar esse quadro. Afinal, é melhor pagar R$ 600 mil a um Geuvânio do que investir para segurar os novos talentos.


