Muita gente que não gosta de futebol não entende por que uma partida tem toda essa capacidade de mobilização, de gerar esse turbilhão de sensações, de fazer marmanjos chorarem, brigarem, vibrarem, confraternizarem. Porque sim. Porque futebol não é "só" futebol, como costumam dizer.

Futebol é, talvez, a única alegria de milhões de pessoas sofridas, que convivem com as mazelas da pobreza, com o sofrimento de uma doença, com as injustiças da vida e que enxergam naqueles 90 minutos em que o time do coração está em campo sua razão de viver, de lutar, de ser feliz.

A Copa do Mundo é a síntese do que é o futebol. É o Panamá levar seis gols da Inglaterra e ver um de seus jogadores símbolos chorar porque conseguiu fazer um gol. É ver o narrador panamenho cair em prantos ao narrar pela primeira vez uma partida do País em um Mundial. É ver um cara do tamanho do Toni Kroos ter a ciência de que fez m... e ter o peito de cobrar uma falta daquelas no último minuto do jogo e encontrar sua redenção.

É ver a garotinha sueca caindo aos prantos por causa desse gol, tão pequena, já sentindo como é doída uma derrota dessas. É ver os mexicanos pintarem a Rússia de verde, vermelho e branco, é ver senegaleses e japoneses mostrando o que é educação e respeito ao recolherem o lixo que produziram no estádio. É ver um Cristiano Ronaldo ir à janela do hotel pedir na boa que os iranianos o deixassem "nanar". É ver minha filha de seis anos – e os seus filhos, certamente, também fizeram isso – trocar o desenho e as séries infantis pelos jogos da Copa, torcer, vibrar e colocar o relógio para despertar cedo "porque eu quero ver o Salah jogar, papai".

É por essas e outras que futebol não é "só" futebol, que ele sobrevive e que continua fazendo muita gente sobreviver.

De encher os olhos
A Bélgica era aquela seleção que em toda Copa "vinha forte", mas não vingava. Dessa vez, para mim, é, sim, uma das candidatas ao título. Colômbia, Inglaterra e Croácia estão jogando o fino da bola também. Aliás, acredito que esta seja uma das Copas com mais dificuldade de apontar um favorito. É por essa igualdade de forças no futebol atual que gigantes como Argentina, Brasil e Alemanha enfrentam tanto sofrimento para classificar e correm riscos.

Menos, bem menos
Já pensou se em 1994 o seu Edevair precisasse costurar um acordo entre imprensa e os "parças" do Romário para garantir a paz na seleção? É o fim dos tempos. René Simões tinha muuuuuita razão.

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