A culpa é das estrelas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 18 de junho de 2018
Thiago Mossini 
Culpar alguém é mais fácil do que reconhecer os erros. Isso é um mal nosso e cada vez mais estamos condicionados a achar um culpado por algo, seja no trabalho, na vida amorosa, na política ou no futebol. Sim, no futebol. Quantas vezes nosso time não perdeu porque o "juiz roubou"? Descontamos a incompetência dos nossos jogadores e técnicos no homem do apito.
Uma das coisas que mais me irritam em época de Copa do Mundo é a cobertura fanática que damos à seleção brasileira. É proibido criticar, confrontar, mostrar as falhas, os erros, as deficiências, as teimosias. Isso ficou evidenciado ao tentar jogar na conta do árbitro o empate na estreia, diante da Suíça. Que foi falta em Miranda, foi, mas não foi por isso que o Brasil empatou. Querer culpar o árbitro pela inoperância brasileira e pela eficiência suíça é de matar de vergonha.
No lance do empate, todo mundo sabe que bola na pequena área é do goleiro e o Alisson não saiu do gol. Além disso, havia nove brasileiros no lance contra apenas o jogador que fez o gol. No mais, é preciso dizer que a Suíça não é a sexta colocada no ranking da Fifa à toa. Nas Eliminatórias, venceu dez jogos, empatou um e perdeu outro. Ou seja, não é uma equipe fraca e também não se limitou a defender-se.
Já o Brasil pouco criou e vimos em campo o pior Neymar que temos. Aquele individualista ao extremo, que entre dar sequência ao lance e cavar a falta, fica com a segunda opção. Um jogador que irrita os dois times: o dele por prender demais a bola e travar o jogo, os adversários por ficar forçando faltas.
Ninguém ganha nada sozinho, principalmente se você tem do seu lado Coutinho, Willian, Jesus. Mas eles não podem ser espectadores de seus espetáculos cinematográficos a cada caída no chão. O Neymar do Barcelona era obrigado a jogar pelo time e esse Neymar ganha campeonato. A ida ao PSG potencializou seu egocentrismo e isso precisa ser cortado pelo treinador da seleção brasileira. Tite precisa agir, e urgente.
Aliás, por falar em Tite, estava visivelmente abalado com a estreia e mexeu mal no time, trocando seis por meia dúzia. Pela guinada que deu nos rumos da seleção, é tratado como santo. Porém, é preciso adiar a canonização e começar a cobrá-lo. A Copa é muito curta para deixarmos para depois.


